Pesquisar neste blogue

18/06/2024

Sonho & Derivações

Não recordas pormenores de cenário nem intérpretes. Esta madrugada o Universo manifestou-se para comunicar-te que agora seria mais fácil. Terias a ajuda que sempre te faltou. Ao escrever saberias o que dizer. Sentirias a dádiva da inspiração. O Universo soprar-te-ia ideias e palavras. Em suma, decifraste: serias abençoada.


Pensando no sonho lembras como há anos ao começares a delinear as Tílias, a Quinta ou lá como se virão (ou viriam?) a chamar as memórias, congeminaste uma ideia plasmada em trechos que nunca chegaste a publicar. A engenhoca singela de a humanidade em rede começar a contar os seus sonhos e a forma como o mundo se transformaria, ganhando um novo elã, não sem perigos. Imagine-se o que seriam os vícios da ambição e do poder impostos sobre os sonhos da humanidade, o mundo onírico de cada um dos homens e mulheres. Na altura configuraste a ideia, já não recordas bem e não vais reler as páginas word arquivadas, através do desenho nas redes sociais. Cada um, logo pela manhã, pegaria no smartphone, desenharia o seu sonho numa rede social universal e os mecanismos normais das visualizações e audiências determinariam o poder de influência que cada um tinha sobre a humanidade.


Contaste a ideia e alguém te lembrou o Matrix e outras ficções que abordariam e explorariam minuciosamente estas engenhocas mentais do mundo onírico e virtual por diferentes prismas. O facto de não consumires ficção há mais de duas décadas, em rigor, consumires muito pouca fantasia, leva-te a usufruir de maior liberdade. Não estás atafulhada de informação ficcional, não submergiste ainda à imaginação alheia e preponderante dos meios culturais e de entretenimento. E és francamente selectiva nessa matéria. As tuas modestas invenções soarão a ingenuidade feroz e singeleza dado o teu desconhecimento dos milhões de percepções a que a maioria dos contemporâneos audíveis no espaço público já foram sujeitos. Poupaste-te. E essa é a tua vantagem. Não sabes tudo, nem tens essa pretensão. E essa é a tua militância. Há quem lhe chame ignorância atrevida. Aos olhos quadrados andas ali entre a imbecil e a esquisita cuja inteligência tem uma única serventia: a de ser pilhada, usada e posta a render quando convém para proveito próprio, logo se seguindo o desdém. Um divertimento. O joguete dos canalhas. Desconhecem o solitário trabalho de sapa feito há décadas neste cérebro semi-estúpido ao olhar dos sempre bem entrosados e cheios de certezas iluminados(as), interesseiros(as), larápios(as) e fofinhos(as). Solitário no processamento (afinal há semelhanças a um computador) mas nem por isso menos solidário nos propósitos e nem por isso menos agradecido ao que te foi dado pelos outros.


E diz o coro: bahh, nada de mais. Nada que não sintamos todos. Ainda se trouxesses uma novidade. Chata. Imbecil. Ressabiada. Demente.


Confirmas pelo quase unanimismo e pelo desdém colectivo que vais no sentido certo. A percepção do novo passou a impossibilidade. Checked.