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03/06/2024

Chá & Conversa

Qual o estado de espírito nos últimos dias? Dispersão.


A notícia mais relevante da semana passada: a Administração Biden autorizou a Ucrânia a usar as armas fornecidas pelos norte-americanos  para abater mísseis russos em direcção a Kharkiv, sobre tropas que se estejam a reunir junto da fronteira ou para atacar bombardeiros que estejam a lançar bombas sobre território ucraniano. A decisão vem na sequência do pedido de Volodymyr Zelensky para a utilização de armas contra determinados alvos em território russo, que tem vindo a ver luz verde de países europeus como a Alemanha e a França. Lenta e prudentemente começa a desenhar-se o que é inevitável: o reforço do apoio militar dos países da NATO à Ucrânia. Era insustentável continuar a manter os ucranianos de mãos atadas face às investidas bélicas do regime do facínora quando feitas a partir de território russo.


A discussão das limitações impostas ao uso de armamento ocidental pela Ucrânia, a aceitação duma acção de legítima defesa ao abrigo da lei internacional e o facto de tal opção não tornar os aliados uma parte do conflito foram os principais temas discutidos pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reunidos em Praga a preparar a Cimeira de Julho a realizar em Washington. Temas que excitarão a comunicação social nos próximos dois meses.


Que mais pairou no espírito? A pressão por falta de tempo para, uma vez já ouvidos todos os debates das televisões para as eleições europeias, ter-me sentado com tempo a escrever um post alusivo. Restou-me Domingo para o fazer já que hoje era a última oportunidade para publicar - agora uso o espartilho auto-imposto do calendário para escrita livre e por temas. De sexta-feira para Sábado fomos para a Póvoa de Varzim aproveitar o sol e calor de fim-de-semana. O vento ajudou a saborear melhor as temperaturas altas. Uma escapadinha para relaxe com ida de Uber e regresso de metro (à ida pagámos 18 euros, à vinda a Uber pedia-nos 36). Sem computador. Não gosto de escrever no telemóvel pelo que não adiantei nada na Póvoa.


A morte do meu tio e padrinho há duas semanas pôs-me a pensar no curso e peculiaridades da vida de cada um. Por um lado é uma espécie de antecipação, de começo do fim (já iniciou antes, mas agora parece mais premente) da geração dos meus pais. Apesar da sorte que tenho tido com a saúde física e mental de ambos. Preocupações comuns à generalidade dos seres humanos. Depois de acompanhar o desaparecimento da geração dos avós - vinda de uma família grande muitas foram as caras e percursos de vida perdidos de familiares próximos e menos chegados – fico com aquela sensação de mundos a eclipsarem-se e não deixa de ser uma sensação de redução do meu próprio mundo. Apesar da memória reconfortante, a nossa vida empequena. Além de mais a morte deste tio, de quem não posso dizer fosse próxima, deixa-me ainda mais distante do mundo de criança, que para ele permaneceu intacto e ampliado até ao último adeus: uma existência cercada de muitos chegados, conservadora e católica. Quão longe da minha vida. E mais: o mês de Maio foi particularmente penoso para muitos dos que me rodeiam no dia-a-dia por morte e doença de relativos e amigos. Há alturas assim: parecem revoadas de aproximação da negritude.


Em matéria de "procura" de casas só desilusões. Calma, nada de grave. O assunto é leve. Ora são amplas, mas estão à venda sem licenças, ora quase sufoco por estarem tão atafulhadas. A sensação boa é esta: cada vez valorizo mais o nosso apartamento. Sinto-lhe uma boa onda que não tenho encontrado na maioria das outras casas. Nada como estar contente com o que é nosso. Afinal só queria um pequenino quintal - palavra antiga e em desuso que define com exactidão o meu desejo, já que sou muito mais amante de quintais do que de jardins postos por ordem. Ainda não me decidi em definitivo como resolver isso.


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Por agora arranjei uma solução aproximada e fácil: no feriado de quinta-feira abri as cortinas das amplas janelas que dão para o jardim dos vizinhos e almoçámos e jantámos na cozinha. Afinal dá um pouco mais a sensação de desafogo de que tanto sinto falta desde criança. Peculiaridades de quem viveu entre o primeiro ano de idade e os 12 anos numa quinta e sente eterna falta de árvores e demais verdes.


 


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Vale-me a varanda e o bicho, o mimalho Ritz, elo de ligação com esse mundo terno da infância. E a cumplicidade com o Nuno, que para minha alegria concorre com o Ritz na meiguice.