Se abrirmos caminho defendendo o melhor para o todo e não o que é vantajoso de modo egoísta ou o que serve os propósitos da nossa matilha de interesses em prejuízo dos demais, o mais provável é que tenhamos de aprender a ficar com o odioso, habituando-nos ao desprezo a que somos votados e deixando outros colherem os louros de acções louváveis.
Não nos compreenderão. Se defendermos a verdadeira partilha de conhecimento em igualdade de oportunidades. Se não nos mostramos presunçosos como sinal da nossa ilustração. Se não desdenharmos daqueles que os iluminados agridem chamando néscios ao mesmo tempo que se queixam da incultura e falta de hábitos de leitura no país - a mesma, como recordo há anos, que lhes serve como uma luva; em terra de cegos, quem tem olho é rei. O que mais desejam é que tudo se mantenha para reinarem com a sua aparente erudição. Agitam hipocritamente a bandeirinha da necessidade de leitura, mas em concreto gostam é de ostentar. À semelhança dos novos-ricos apresentam-se como novos-eruditos. Não nos respeitarão. Se não nos mostrarmos próximos ou admiradores de ilustres convenientes à escalada de protagonismo e não enchermos as nossas intervenções de referências para exibirmos aparência de conhecimento. Não sabem o que é discrição apesar de dizerem apreciá-la. Não nos compreenderão. Se denunciarmos os atropelos e faltas de respeito pelas dificuldades reais de acesso a vidas mais desafogadas, dignas e preenchidas de mais substância e menos forma. Se recordarmos a manuntenção e aumentos das assimetrias económicas, sociais e culturais. Se não falarmos a sua linguagem hipócrita e oportunista a coberto da defesa de grandes valores. Se nos expressarmos por subentendidos que só associam aos britânicos porque sendo provincianos armados em citadinos só conhecem a sofisticação fajuta e não a verdadeira subtileza portuguesa. Habituaram-se a admirar snobes arrogantes e malcriados que se estão a marimbar para o todo. Gostam de os mimetizar - são os seus ídolos a que só por anedota atribuem carácter independente - em vez de valorizar a inteligência em si e a bondade. Seremos sempre acusados de estranheza e pobreza intelectual. Seremos sempre os inconsistentes, inconsequentes e, claro, entediantes. Se formos duros a mostrar o mundo tal qual ele é no momento certo para que as coisas mudem para melhor e não no momento conveniente quando já não há benefício para o todo mas apenas para alguns, farão tudo para nos descredibilizar. Seremos difamados pela calada através de bullying sub-reptício, nunca assumido por gente que se diz muito educada, honesta, estudada, defensora dos bons princípios e do rigor dos factos e do conhecimento. Gente com boa imagem e audiência no espaço público que não perde uma oportunidade para nomear e mostrar-se próxima ou amiga de (outras) figuras públicas - a necessidade permanente de pavonearem estes conhecimentos é a prova da sua menoridade, falta de independência e da paga de favores a que estão obrigados para se manterem à tona.
Nalguns casos os mais agressivos nas acusações e tropelias são os que mais à frente defendem aquilo que propusemos contracorrente debaixo dos seus enxovalhos e no futuro é tido por conveniente. E são eles mesmos e os amigos das redes de interesse que ostentam a coroa dos louros do progresso. É assim a vida.
Passaremos por burros por alertarmos para o facto de uma composição musical ter base num compositor que não aquele cujo trabalho final composto ficou registado, apesar de se quiséssemos ser imbecis e soberbos recordaríamos que desde pelo menos os sete anos conhecemos a composição como sendo do mesmo compositor a que os ilustres mestres-escola reta-pronúncia atribuem a autoria, como passámos por imbecis por anunciar epidemias, catástrofes naturais e guerras para repor o equilíbrio do planeta, como passámos por ignorantes por defendermos o benefício das rotinas de trabalho e não alinharmos nas teses do desemprego em massa por causa dos avanços tecnológicos.
Em permanência seremos corrigidos por quem do cimo de pedestal, em que se auto-investe sem especial mérito para tal, jamais admite erros, apesar das enormes fragilidades de raciocínio e preconceito e da desonestidade que enferma. Seremos sempre corrigidos por provincianos fechados em castelos de soberba intransigente e pirosa convencidos do seu imenso acerto e bom gosto.
Seremos sujeitos a tentativas de assédio por parecermos úteis para usar e deitar fora, seguidas de esforços para minar o nosso amor-próprio através do insulto velado ao aperceberem-se que não vamos entrar no jogo da troca de favores.
Seremos enxovalhados cada vez que denunciarmos agressões e atitudes arrogantes. Tratar-nos-ão como palermas com conversa de café ou interesseiros em busca de protagonismo com a mania a perseguição e continuarão a dar palco e elogiar medíocres presumidos anónimos ou de renome. Os tais de falsa sofisticação intelectual que vivem das audiências e vendas de vaidade, presunção e egoísmo incivis – os grandes heróis do nosso tempo. Pejados de pequenas vitórias para exibir - é uma permanente festa a vida dos presumidos(as). Gozarão com a nossa cara através da calúnia para gáudio dessas matilhas de oportunistas que vão ascendendo e mantendo-se à tona no espaço público a contaminar qualquer possibilidade de civilização da opinião pública. Seremos caluniados de devotos das teorias da conspiração mesmo que conheçamos os agressores e os prejuízos que nos causaram sejam reais e relevantes e tudo o que queiramos seja discrição e Justiça Natural.
Foi assim no passado e é assim no presente. Não é de esperar que mude a atitude de quem vive de enganar, agredir e roubar ou apenas das conveniências. De quem vive à custa de alguns e do alheamento de muitos e de pilhar os frutos do esforço alheio ao mesmo tempo que despreza o seu talento.
Perderemos sucessivas batalhas, mas lutaremos e o mundo mudará. Evoluirá com dor, como sempre. Esperemos que haja tino para que os progressos tenham mais consistência do que os retrocessos que sempre acontecem nas alturas de viragem.
Parecer-vos-á ridículo este junta-te a nós, sabendo que não há um "nós", não há um grupelho de conhecidos a que vos possais juntar por uma questão de interesses mesquinhos para alcançar privilégios políticos, profissionais, económicos e reputacionais - sem suma: de poder -, apenas um conjunto avulso de pessoas que pode nem sequer conhecer-se entre si, mas comunga do respeito pelo próximo. Parecer-vos-á ridículo, porém hoje deu-me para aqui. Que se há-de fazer? Ide, ide procurar o que dizem os sábios admiradores e bajuladores de amigos interesseiros e de agressores anónimos ou renomados que procuram destruir tudo quanto haja de valor para defender os seus caprichos e egoísmos usando este último termo sem lhe conhecer o significado. Esses "benfeitores" que substituem o mérito pelo compadrio e sede de poder nalguns casos até usam a heteronímia para as suas "benfeitorias" a quem eu deveria estar grata por tantas ajudas desinteressadas ao longo dos anos (sim, a perversidade dessa gentalha chega a este ponto). Ide. Aqui não se aprende nada.
Assina: a ingrata com gente tão nobre de gestos, humilde de atitude e bem sucedida que domina o destinos do país. A grande montra. Os grandes exemplos que os portugueses têm para replicar comportamento.
Bom fim-de-semana prolongado com feriado incluído - Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas 2024 -. gozem-no e reflictam no bem ou mal que fazem ao vosso país.
*
Se não estiveram atentos ou não têm pachorra para políticos e querem saber o que disseram nos debates, podem ler aqui o resumo possível: - o capítulo de segunda-feira: Eleições Europeias -.