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12/06/2024

A profunda beleza

Porto é antónimo de leviandade. Quem não entende a beleza do Porto não conhece a verdade.


No ano passado contei aqui como fiquei enternecida quando o Nuno ao chegarmos à estação das Devesas me disse: agora que estamos em casa, está tudo bem. O sóbrio amor alentejano, há muito desterrado e corrido por outras bandas, à terra que agora diz nossa vale para mim como uma declaração de amor. E ele conhece bem a minha precoce e eterna admiração pelo Alentejo. 


Há semanas disse-me outra coisa que me deixou desvanecida. Andava embrulhado nas leituras de divulgação de astrofísica e brincou: tenho de ler senão fazes-me perguntas e ficas desolada se não te souber explicar. É tal qual, sei muito pouco, sou chata como a potassa e entristeço caso não me satisfaça a curiosidade. Gosto de saber, nem que seja o material de que são feitos os pregos - pó de estrelas. Gosto, simplesmente. Mesmo que esqueça logo a seguir. Cada um com a sua panca. Prescindo da superficialidade de Barbies e Kens, de fogos de artifício e também da bazófia muito instruída e sofisticada. Só quero saber.


Vivo no Porto, não gosto de meias-tintas.


E admiro a profunda beleza da minha cidade.