Pesquisar neste blogue

18/01/2022

Uva-passa

Uva-passa.PNG


 


Pergunto-me onde armazenamos tanto do que vivemos. Uma fotografia, uma palavra, uma recordação. Episódios e realidades tão distantes uns dos outros. Gente e terras tão díspares. Sensações incomparáveis. E a imensidão de fragmentos posta em sossego eterno até que minuciosa pesca à linha a vai trazendo à tona por porções de imagens, sons, dores que já não ferem a ferro quente, sentimentos difusos, toques, ápice de arrepios, sabores, cheiros, alegrias a comover em subtil fuga.


Camadas e camadas de esquecimento sobre as sensações passadas, sobre gente de carne e osso e paisagens com alma que passam sem mirrar como a uva-passa.


Ficam etéreas num espaço de ausência até ao momento de presas a isco inconsciente serem içadas por frágil linha e, tomadas nas mãos presentes em desvelo de dedos um pouco mais sábios, reanimarem os dias.


Cada vida é um universo gigante de recordações por memoriar.