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07/01/2022

Para mais tarde recordar

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O talento para a análise política da elite portuguesa no seu melhor. No Observador.


Sabendo que todos os dias a Terra é bombardeada por meteoritos, pode ser que José Miguel Júdice desta vez tenha realmente acertado e não seja necessário deixar de fazer comentário político (como anunciou há muitos anos se não acertasse num prognóstico).


Mas isto nem é o pior (valha-nos ao menos tratar-se de pessoa civilizadíssima). Má, má é a sucessão de argumentos facciosos repetidos à exaustão com o fim de distorcer a realidade, atirados pelos artilheiros que argumentam sempre como se estivessem a falar de futebol (aliás, é aí que se treinam, nunca conseguindo despir a camisola de adepto fanático). A forma como argumentam e tentam destruir os adversários é papel-químico do bullying praticado pelos  grupos adolescentes - os cool - dos liceus. Sempre muito populares, seguidos de um clube de fãs. Uns e outros com notável grau de inteligência para o debate (a rasar a nulidade). E com isto enchem-se de brio para falar em factos e têm-se por verdadeiros democratas.