O mau de não haver surpresa e verdadeira curiosidade e do hábito de em tudo se encontrar paralelos e reflexos de vivências anteriores ou referências lidas, vistas ou ouvidas – o mau de tudo se achar conhecedor – é a falta de pureza e verdade associada. Assim, a vida pouco vale a pena. Quando muito quem assim vive, vê lampejos de graciosidade nos outros e no mundo até se enfadar por achar que perderam a graça passando a figurar como quaisquer bibelôs pousados na prateleira da catalogação. Serve talvez para o desporto social ou jogo intelectual e para trocar brilharetes numa rede de convívio social privilegiada – boas relações – que desde sempre atraiu gente ambiciosa. Nalguns casos gente válida que se perde na vaidade e na futilidade. É possível que seja o caminho mais fácil e atraente, mais faustoso, mas não é um caminho belo nem honesto e sentido – esse costuma ser bem mais solitário. Ver os passos da vida na perspectiva de depósito de conhecimento abstraindo do que se está experimentando de novo a cada momento tal a ânsia a acumular mais e mais saber para exibir, não permite que se sinta nada que valha a pena – tudo e todos os que rodeiam são meros acessórios.