A filha quando consegue volta à carga com os sonhos, e a mãe pergunta o que sonhou nessa noite. Com um cão, responde a Quinta. Mas era grande ou pequeno, meigo ou raivoso, calmo ou nervoso? Ah?, oh mãe. Oh mãe, oh mãe, se tu gostas de andar a partilhar o que sonhas e achas isso normal, bem posso esperar que toleres que goste de interpretá-los à moda das minhas bruxarias. Mãe, estamos no século XXI, já ninguém no mundo civilizado acredita nessas coisas das interpretações sonhos e nos astros. Isso é mesmo bruxaria, devias envergonhar-te de ler essas coisas. E envergonho, minha filha. Envergonho e continuo a ler. Faz parte da vida, ter vergonha de coisas que gostamos. Quando saíres da fase tontinha do eu sei tudo, vais perceber. Convenhamos que se não te conhecerem e começares a falar dessas palermices vão achar que não tens juízo. Ora aí está uma coisa com que não me ralo. Sei que não o tenho todo, e que sou como sou. Não me vais mudar, minha menina.
Da mesma saga existem os seguintes postais:
Fragmento 1. Tílias - Rua N. S. de Fátima
Fragmento 2. Tílias - Compor os Sonhos
Fragmento 3. Tílias - Brilho e Falsidade
Fragmento 4. Tílias - Rua General Torres e Brasil
Fragmento 5. Tílias - Filha e Maternidade
Fragmento 6. Tílias - 11 de Setembro 2001
Fragmento 7. Tílias - Chave em Christchurch
Fragmento 8. Tílias - Maçãs e Batatas
Fragmento 9. Tílias - Jerusalém há 2000 anos
Fragmento 10. Tílias - Avó
Fragmento 11. Tílias - Virinha