Por que razão é provável que Rui Rio ganhe as eleições no próximo dia 30 de Janeiro?
Ao contrário dos mais ilustres opinadores do twitter, dos blogues, dos jornais e das televisões RR está a assistir a um filme diferente: o do país e dos portugueses. Ler os comentários ditos de referência debruçando-se sobre os debates é muito divertido: agarram-se a todos os lugares-comuns que só nas restritas conversas ocas destas trupes são tidos por adquiridos inquestionáveis. Antes teria a tendência a dizer que vivem na estratosfera, mas isto não corresponde à verdade: são gente e vidas tão comezinhas como as dos restantes portugueses, só com a pequena diferença de viverem à custa de referências e bajulações recíprocas - da troca de favores - com base em meia-dúzia de ideias preconcebidas enfiadas à força de retórica irreflectida em gavetas muito arrumadinhas sempre prontas a ser abertas. Sobrevivem encostados numa qualquer tribo, sem qualquer espécie de independência e vêem a realidade pelos curtos binóculos da lábia de grupo.
Já os portugueses na sua maioria vivem felizmente num mundo que continua a decorrer sem dar bola a estas inutilidades. Vêem as desajeitadas afirmações de RR como evidências, estando fartos das artimanhas socialistas e tendo pouca paciência para as tribos de iluminados que tentam diariamente fazer a lavagem cerebral no sentido de manter o país no atraso ancestral que interessa para se manterem à tona.
Não sei o que vai acontecer daqui até ao final do mês, até agora diria que a maioria dos reparos a RR feitos seja por António Costa ou outros opositores, seja pelos iluminados que no fundo apreciam bastante o actual estado de coisas, caem que nem ginjas na candidatura do PSD que se vê reforçada cada vez que o tratam como um estúpido qualquer - como um simples português que pensa no seu interesse e no país. Não podia representar melhor a nação para mal dos pecados dos doutos opinadores de referência.
As palavras anteriores são tão singelas que não merecem crédito como de costume e se RR ganhar as eleições vou assistir novamente ao desenrolar de interjeições de espanto: é que ninguém esperava, ninguém previa. Assim continuamos: eles, os sábios opinadores de referência no alto da sua cátedra e as Comezinhas eternamente tidas por ignorantes, desabridas e por isso desconsideradas. E é assim que tem de ser: estamos em Portugal.