Ao contrário da maioria das opiniões que li (foram poucas) o modelo de curtos debates utilizado para estas legislativas parece-me muito acertado. Os longos tempos de antena que se ofereciam aos candidatos para fazer propaganda foram bem coarctados, forçando-os a serem contraditados por todos os outros e a cingirem-se aos pontos fulcrais e mensagem que querem passar. Obriga-os a disciplina e poder de síntese – duas vantagens.
E quem diz que daqui só saem sound bites esquece que tal já acontecia nos debates mais demorados, cujo encher chouriços era sempre reduzido aos chavões nos dias seguintes.
Bom, bom seria usar o mesmo critério para os jornais e espaços de debate. Em vez de continuarmos a assistir ao chover no molhado de 30 minutos de estados de alma dos especialistas, comentadores e jornalistas sobre a pandemia, ou o ânimo dos portugueses no momento clássico das televisões de abastecer combustível em tempo de aumentos - fico sempre à espera da verdadeira notícia, o dia em que apareça um automobilista a dizer: estou muito contente como esta subida de preço – poderíamos ter jornais de 30 ou 40 minutos por inteiro que nos informassem das notícias do país e do resto do mundo.
Em ambos os casos a conversa mole para boi dormir interessa sobretudo a quem não sabe como resolver os problemas e gosta de enrolar durante horas. Quem age e faz a diferença fala menos, analisa com sobriedade e executa. Sem lero-lero.