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06/05/2020

Velho Portugal

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Sim, tem razão. A diferença que refere de mentalidade dos países do sul prende-se com a copiosa vontade de desprezar as regras e de ser trapaceiro. O que trazendo mais prejuízo do que benefício, não é inteiramente mau. Desconfiar e questionar regras mostra alguma inteligência e intolerância à resignação. Ao menos sofremos menos; talvez sejamos um pouco mais livres. 


Mas depois, há tudo o resto: como criar um país decente e mais rico se quase ninguém está disposto a cumprir? Quando os candidatos a emprego começam por pesar o número de faltas que podem dar e uma vez a trabalhar ficam completamente alheados do seu real peso na estrutura. E a ridícula ascensão das chefias não por mérito – por saberem do ofício – mas por serem detentoras do que chamam perfil de liderança, que como sabemos entre nós se traduz numa de duas coisas: cunha ou parlapiê inconsequente. Patrões a encarar os funcionários apenas como encargo, não os reconhecendo como aliados, nem considerando o rendimento que dão às empresas. E a pagar mal, muito mal. Um Estado que esmaga a possibilidade de crescimento sadio das empresas com impostos e burocracias excessivas. Camadas e camadas de funcionários públicos ineficientes, com baixas médicas fraudulentas e outros benefícios a enviesar completamente os dados sobre as reais necessidades do sector público. E, a propósito, uma comunicação social – bacoca e ideologicamente comprometida - que raramente fala escorreito e a direito. Um sindicalismo, como diz, caduco. E, mais do que tudo, injusto e virado somente para o seu eleitorado. Protegendo apenas a função pública e um punhado de gente na grande industria.


Enfim, está tudo mal. Mas se não fosse a maldita epidemia podíamos ir para a praia espairecer. Como diz o outro, o que é preciso é saber como se melhora. E só vejo uma maneira: sendo mais honesto. Resta saber se o País está para aí virado.


(com pequenas correcções texto publicado inicialmente como comentário no blog Delito de Opinião.)