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05/05/2020

Justiça

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Divertem-me muito os ralhetes moralistas a alertar para as desigualdades sociais. Noventa por cento são debitados por pessoas privilegiadas e aldrabões que desconhecem as realidades sobre que falam nem têm a menor consciência da vida ou das dificuldades das pessoas que tentam atingir e castigar com acusações cheias de lugares-comuns. Mas como neste tempo e mundo de falsidades o que conta é a aparência e os discursos tontos e vãos, lá caminham os moralistas de farta lábia apontando o dedo a torto e a direito a troco de passarem a imagem de gente solidária e cheia de amor ao próximo. Hipócritas q.b., não valem um chavo. Têm o perfil certo para chegarem a opinadores oficiais do reino ou a governantes. Avante, gente cheia de si e da sua justiçazita para inglês ver. Abanquem, o mundo é vosso.


Adenda: há observações a fazer lembrar a caridade pungente do chás beneficentes das tias de antigamente, quando ainda se praticava esse desporto religioso. O curioso é que os piedosos de hoje em dia são não raro os delatores das hipocrisias de antanho. É a dança das cadeiras.