
Esse é o lado A dos países novos.
Na velha Europa as razões dos ódios e invejas são seculares. As injustiças e diferenças sociais ao longo dos séculos criaram um lastro de revolta sempre à flor da pele, por mais conquistas que tenham ocorrido, designadamente, as do século XX. Além do que, se foi encastelando uma fina e emaranhada malha de leis e usos e costumes que espelham a dicotomia dos velhos privilégios versus novas conquistas da justiça social.
Os países de sangue novo têm na guelra a ambição valorizada, costumes mais arrojados e leis menos equívocas, de mais fácil interpretação. Daí a vontade de se pegar na mochila e partir para as Américas, África e Austrália, para países onde não pesa (tanto) a antiguidade civilizacional nos termos em que a conhecemos (sei, é arriscado dizê-lo).
Mas há também no lado B. A falta de rede de quem vive em muitos desses lugares. Onde a protecção ao emprego, saúde pública, segurança social e segurança física podem ser miragens. Mesmo nalguns países em que a riqueza permitia manter esta rede, ela foi-se deteriorando com a expansão da população.
Problema diferente é o da falta de seriedade ou, pelo menos, o apreço pelo desrespeito das regras. Esse, se olharmos para a realidade portuguesa, é transversal aos sindicalistas, trabalhadores e patronato. Não ponho as mãos do fogo por nenhuma 'classe', seja ela qual for.
(com pequenas correcções texto publicado inicialmente como comentário no blog Delito de Opinião.)