
Aos dias que passaram seguirão outros iguais, pensas crédula. Tão iguais que não haverá idos a contar. Sucede que não. És estimulada pela voz que sorri em balanço da smooth fm e vem a boa da onda do vaivém no mar. Ontem e amanhã são apenas agora. Em Luanda o presente consome história e ficção num só instante. É a humidade que pesa nos pulmões e nos neurónios. O calor pegajoso e a falta de erva. Céus. Como faltam árvores e erva. E não é dessa. Falo dos campos. Há falta de verde em Luanda, mas não há falta de agora nem da cor do barro. O enorme agora do começo à extinção do Universo. Que interessa? Agora cai a chuva intensa e repentina, lava as ruas sujas. Logo a brasa do sol evapora a água da pele das briosas zungueiras de bacia de expressivo plástico à cabeça. Um filho ao peito a mamar. Outro nas costas a balançar. Suspenso como o Mundo. O Criador ao colo de São Cristóvão, padroeiro dos viajantes.