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07/05/2020

Faroeste

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O País está de pantanas. Os mais velhos trepam pelas paredes, fartos do zelo com a sua saúde. Os que não tinham vínculo laboral que os protegesse socorrem-se das instituições de solidariedade. Parte substancial das empresas está a colapsar, parte substancial dos trabalhadores está em casa. Os que trabalham estão cansados.


Muitos recebem ou receberão ajudas do Estado, ou seja, dos contribuintes portugueses. E os pistoleiros com que se preocupam? Com a justeza das medidas na distribuição dos apoios? Com eventuais desvios, imoralidades e ilegalidades? Com a forma de conseguir os meios para pagar esta injustíssima conta? Que não é por ser injusta que desaparece. Não, claro que não. Isso seria demasiado óbvio, coisa de quem tem têmpera de país do Norte. Essa gente quadrada que não tem acesso às temperaturas amenas do Mediterrâneo e às suas múltiplas sensibilidades. Gente que gosta de regras e as respeita. Que não vai na conversa mole e no engodo dos três mil quatrocentos e um pontos de vista de uma lei, ideia ou sentimento. Gente de pão pão, queijo queijo. Não, claro que não. Isso seria um horror.


Há assuntos muito mais prementes a tratar. Medir quantas vezes o vizinho de lado sai à rua, se a pessoa da fila da frente no supermercado põe a mão na máscara ou a desce um pouco para poder respirar. Acusar os perigosos compradores de comida online de afirmarem ou mostrarem que comem o que, como é sabido só deve ser feito presencialmente em bons e caros restaurantes de amigos. Culpar outros de insensibilidade social quando se manifestam bem-dispostos e contam piadas. Chamar imbecil a quem se queixe de abalo psicológico. Responsabilizar pessoas que trabalham por não terem ficado desempregadas e desempregadas por se passearem nas marginais. Enfim, todos os dias há uma novidade no rol de comportamentos inadequados. O enorme Índex de matérias sérias e graves a compilar e castigar antes que os cowboys mais rápidos do Oeste abram os olhos e vejam o lodaçal em que estamos atolados e do qual precisamos sair com esforço. De preferência, sem a costumeira lábia de quem paira acima da realidade sem nunca se deixar tocar por ela.