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25/05/2020

Leituras a 10 anos

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Como já organizei mentalmente a vida a partir da próxima semana e ando numa de ‘planejar’, como dizem os brasileiros, vou fazer como nos filmes e correr o tempo.


«…dez anos depois…»


Estarei a pegar no Guerra e Paz e a pensar com os meus botões: não será cedo demais, na casa dos cinquenta? Talvez aos sessenta. E voltarei a ler as primeiras vinte ou trinta páginas, para logo depois as esquecer.


A menos que me sinta motivada pela recordação do relato de há três ou quatro meses. Alguém o lia e descrevia passagens nas quais o supremo chefe militar (chamemos assim por ignorância), já de provecta idade, ouvia os inúmeros conselheiros. Consciente de que alguns o tentavam induzir em erro propositadamente para o afastar do cargo e uns e outros defendiam posições antagónicas e inconciliáveis, o velho e arguto militar ia ouvindo diplomaticamente a turba e fazendo o que entendia, mantendo as boas relações com todos.


Antes disso, talvez ainda na casa dos quarenta, leia uma segunda biografia de Churchill. Aí estou certa de não precisar de grandes incentivos, uma grande vida dá sempre boa leitura. Esta semana terminaram de me relatar a de Martin Gilbert. Até hoje só li a de François Bédarida, e lembro-me do gosto com que à época a li. Não sei se por habilidade do biógrafo, se por o biografado ser de facto a figura mais empolgante do século XX. Um homem que nos faz acreditar nos homens. Um militar de mão cheia, um político de têmpera e coragem. Um homem com uma vida cheia de reveses em permanente superação à custa do carácter. Uma vida rica e absolutamente extraordinária.