
Nem só do silvo do vento a laminar as folhas dos arbustos, do restolhar das cascas secas das árvores, do ronco do mar bravo, do chilrear dos pássaros ou do martelo do piano é feita a vida. Outros sons preencheram o passado de ócio. Quantos desejos plantei enquanto recolhia os ovos e o milho do Chuckie Egg no velho e pequeno ZX spectrum e destinos tracei nas Copas ao tentar escapar da dama de espadas no volumoso HP ao som de 8 bits. Uma vida feita de preguiça. Preguiça cheia, plena de devaneios. Capaz de construir três ou quatro sortes em simultâneo. Destinos com direito a casas desenhadas e povoadas, conversas delineadas com pormenor, amores impossíveis, viagens libertadoras, brigas de impulso, pazes arrebatadoras e sonhos de conserto improvável dos males do mundo. Há quem chame a isto desperdício, pura perda de tempo. Será, mas é isto que sou.
Bom dia. :)