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14/03/2025

Ponto-morto

Chegou à conclusão que as facetas da vida a que dava menor atenção, as que ocupavam menos o pensamento desenrolando-se quase de modo mecânico, eram as que lhe proporcionavam maior bem-estar e paz de espírito. Tudo aquilo acerca do que a mente se debruçava parecia voltar-se contra si enguiçando como se de castigo se tratasse. Como se fosse atrevimento devanear, imaginar, antecipar, desejar. O Universo parecia querer vê-la a transcorrer a vida sem consciência. Exigindo que dobrasse a espinha às voltas do destino. Sem compreender, sem sentir, sem traduzir e expressar racionalmente o que os sentidos proporcionavam. Parecia querê-la na condição de serva do tempo. Como se tivesse de percorrer a vida numa descida em ponto-morto. E isso jamais admitiria. Não aceitaria a condenação à estupidez, ainda que soubesse que o preço a pagar fosse elevar exponencialmente o grau de dificuldade da vida.