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25/03/2025

Agenda

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(corrigido)


A manhã de trabalho começou com uma chamada telefónica para a Coreia. Boa noite. Bom dia. E hoje possivelmente limito-me a agenda depois de uma noite mal dormida com sonhos desagradáveis. Antes os pesadelos, são menos irritantes.


Vamos então à agenda. Acerca do que tenho intenção de escrever, mas não desenvolver?


Da Trumpetização portuguesa. Dissimulada, só podia. Numa pincelada sem grande rigor diria que depois de 48 anos de ditadura e, abstraindo dos primeiros anos de Democracia, mais de vinte de socialismo soft entremeado com dez anos de governos sociais democratas de Cavaco Silva e mais uns períodos curtos de governos de direita liberal, cá estamos nós encantados com a possibilidade de voltar à sonsice de quem se diz preocupado com a extrema-direita de André Ventura - deplorável às claras -,  mas está com os dois pés a chafurdar nos aleluias, améns e louvado seja o Senhor da direita do empreendedorismo e da pseudo-meritocracia à custa da esperteza saloia e da trapaça tão típica em Portugal. Cada um que mostre o que vale, cada um é responsável pelo seu destino. Vamos enriquecer o país a beneficiar as reivindicações das corporações, dos funcionários públicos, a abstrair da justiça social, a promover a lei da força nas relações laborais não protegidas, a promover a lei da selva em áreas de negócio atraentes como a banca, o imobiliário ou a saúde, a premiar as redes de interesse na comunicação social e desacreditar os ressabiados que criticam este paraíso e não singram na vida neste país das grandes oportunidades de trafulhice – se não sabem fugir à lei, enganar, explorar e roubar, aprendam a fazer pela vida e a usar a retórica de boa imagem para convencerem os outros do vosso valor. É este o país que propomos, é o nosso brinquedinho de meninos mimados e chico-espertos. Portugal Great Again. Os slogans de meninos excitados com vidas fáceis que envelhecem sem aprender a respeitar as regras mínimas de justiça e de convivência em sociedade apesar de gostarem muito de perorar de cátedra. Conhecem a etiqueta fajuta, desconhecem a educação, a nobreza de sentimentos e a força do carácter. Gente que se demarca de Trump apenas por estratégia sonsa, mas no íntimo se revê na sua maneira de estar em sociedade e visão do mundo.


Mudando radicalmente de assunto, em matéria de coração cá vai outro tema que abordaria sem desenvolver. Bem sei que conselhos são ridículos, porém hoje abro uma excepção com avisada dica para todos que têm carácter e amor-próprio. Não ser permeável a tentativas ardilosas de sedução explícitas ou pela calada de pessoas nitidamente sem escrúpulos. É tão simples quanto isto: devemos dizer Não quando alguém não nos respeita nem respeita os outros em geral. Gente que se guia sempre pela vantagem que pode alcançar através da exploração dos outros e especialista em estar em permanência do lado vencedor ou dos mais fortes à cata de privilégios. Não entro na conversa tonta das pessoas tóxicas, que serve sobretudo como autojustificação para egoísmos e faltas de capacidade de encaixe. Falo mesmo de gente sem carácter que devemos manter à distância por não valer um chavo, ainda que nos elogie e nos assedie tentando enganar. Gente que não presta, não muda.