O mundo está pejado de grandes estrategas doutrinadores.
Não mostres imagens de viagens em curso, olha a inveja e os assaltantes que ficam a saber-te fora de casa. Não reveles planos e sonhos, olha a tua inconsistência e a cobiça dos outros. Não sorrias, põe ar decidido e sedutor disfarçado, olha a falta de credibilidade. Não te preocupes com o que não podes mudar, segue o estoicismo. Não te mostres tal qual és, olha os mal intencionados que se aproveitam.
O sábio conselho é viver tolhido de medo e em fuga constante como se o ardil e dissimulação fossem prova de sofisticação, cautela e maturidade. A palavra de ordem é afogar total e irremediavelmente a espontaneidade e substituí-la por uma imagem artificial de rigor, perfeição ou glamour.
Os devotos da estratégia vivem do cálculo. Assim preconizam a ideia de sucesso pessoal e social. Abafando o que pensam e sentem no âmago. Estes bem sucedidos mestres na arte de viver de modo consistente conversam a doutrinar e aconselhar responsabilidade e coragem, todavia trabalham com desconfiança, socializam a criar enredo e rótulos, comem a medo, amam em segredo, fodem quem convém e adiam a vida autêntica para São Nunca, à tarde.