Pesquisar neste blogue

17/03/2025

Domingo revisitado

Descobria-se frágil como nunca antes. Frágil fisicamente. Ao observar outra mulher enérgica e possante. Possivelmente jovem. Não conferira porque como ela tinha o hábito de nadar seguido sem pausas, não havendo oportunidade para contacto visual senão em movimento. Nadou em veloz e perfeita cadência sem interrupções pelo menos quarenta minutos. Em poucas braçadas atravessava a piscina. Ao reparar sentiu-se quebradiça, um pelém. Pensou: nada como um homem. Caiu em si e percebeu no erro que incorria ao associar força e bom desempenho muscular apenas aos homens. Recordou como em jovem se tinha por uma mulher com robustez física, ficou a magicar se isso alguma vez teria correspondido à verdade. Lembrou do serviço militar, do desporto, da dança, do sexo e de tudo quanto envolve exercício corporal. Tinham passado quarenta minutos, saiu da água, passou-se pelo chuveiro, vestiu-se, subiu a rua, desceu a outra rua, passou pela última casa que sonha comprar sem sequer saber se vai ser posta à venda. Reflectiu se teria idade e saúde para viver numa moradia e arcar com os problemas associados. Atravessou para o supermercado, comprou pão para acompanhar o almoço. Dirigiu-se a casa, chegou, passou o fato de banho por água e pendurou. E não fez mais nada de útil durante o Domingo, senão ler umas páginas de um dos livros no activo, inteirar-se distraída do desatino do mundo e dormir.