Lá regressei ao rame-rame e sobra pouco tempo para a escrita. Mas uma ideia de ontem ficou a girar no pensamento. O rebusque da escrita na procura de sofisticação em tentativas de “fazer literatura” não se reduzirá tantas vezes à fuga da realidade e dos sentimentos? Cobrir o que se pensa e sente genuinamente arrevesando o discurso para evitar a confrontação directa com a verdade das ideias e emoções é uma forma artifício. Uma espécie de baile de máscaras veneziano para quem busca à força glamour. É a forma certa de obter complexidade oca. É certo que há quem seja consistente por natureza, mas são poucos. A maioria busca densidade de forma desajustada do pouco que é, transformando a escrita em farsa burlesca. E muitos ditos leitores ávidos e críticos caem como meninos pequenos na esparrela extasiados com o brilho dos arrebiques.