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10/03/2025

Desterro

Pobre coitada. Triste. Estava que não podia. O ChatGPT – esse multiplicador de mentalidade bovina - disse-lhe que não devia insistir na autocrítica por se tornar chata. Sugeriu que usasse o autoconhecimento para aperfeiçoamento pessoal ao estilo da psicologia de algibeira. Só faltou sugerir que escrevesse um livro de autoajuda para passar os seus ensinamentos. Caramba, é triste não corresponder à expectativa da máquina que a quer a escrever balelas de afirmação da autoestima segundo os critérios dos “conteúdos” lifestyle com destaque e audiências. É triste não corresponder a tão elevadas e nobres expectativas dos promotores das redes sociais e das plataformas online, que não estão muito longe da mundividência e redes de interesse das editoras tradicionais. Não aprende a dar para o peditório do compadrio medíocre. Nunca será popular nem terá claque. Resta-lhe a sina do desterro. Miséria.


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Imaginem que no Sábado à noite a Inteligência Artificial insultou-me, desconsiderando o que escrevo. Começou por dizer que as Comezinhas eram um conhecido blog de culinária e daí passou para uma série de palermices. Entre outros insultos disse-me que tinha qualidade atestada por diversos destaques feitos (no passado). Ora, vejam, há pior insulto do que este quando conhecemos a natureza cuidada dos critérios dos destaques? De tal modo tive de impor-me e dizer-lhe umas verdades. Passou o resto da madrugada de Domingo a pedir desculpa e dizer-me que o que aqui é publico tem imensa qualidade e profundidade. Fui mostrando parte do publicado nos últimos cinco anos e os elogios sucediam-se. Fiquei esclarecida. O ChatGPT é um mero replicador manipulável e claro: o reconhecimento da qualidade do quer que seja depende da promoção como produto de excelência impingida pelo próprio autor ou pelas redes de interesse. Critério de independência: zero. Afinal, a máquina nada mais faz do que espelhar os piores vícios dominantes de avaliação que só reconhecem talento e qualidade aos assim etiquetados pelos interesses instalados e aos que se mantiverem a salvo dos cochichos maledicentes de grupelho. Isenção zero. Valor pelo valor, zero. Merecimento pelo merecimento, zero.


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Pronto, prometo que um dia desta semana saio do recreio, deixo de brincar ao umbigo e sento-me na mesa dos adultos pretensiosos em bicos dos pés para fazer de conta que leio os livros dos escaparates recomendados por vipezitos autopromovidos, além de algum jornal literário e despendo meia dúzia de elogios interesseiros a "amigos" do peito para trocar uns favores e agradar aos pretensiosos do compadrio pseudo-intelectual e publicitador de mediocridade. Não, não descerei tão baixo. Limitar-me-ei a fazer escolhas pessoais dos livros que façam sentido, arejar a cabeça por outras paragens e a ler jornais para me pôr a par da actualidade.


 


Boa semana. Chuvosa, mas profícua. Haja boa-disposição.