Num mundo em que a maioria quer parecer melhor do que é, o desafio que sempre vale a pena é preservar o melhor não o atirando à cara de quem passa para mostrar ascendente. Nada mais deprimente do que tratar os demais com desdém ou mero paternalismo, de modo a obter ridículo ascendente fabricado artificialmente por exibição de larachas tidas entre clãs que mimetizam as elites novas e antigas como demonstrações de educação e erudição. Meras molduras despidas de substância.
Em regra, esta tendência de arrogância ilegítima herda-se como cola para manter relações privilegiadas ou decorre da ambição sem limites e tantas vezes sem escrúpulos, em grupos de gente que se procura mutuamente e com oportunismo abstraindo do resto do mundo - quando muito usado como trampolim, audiência e/ou objecto de observação e comentário preconceituoso.
Num mundo em que o elevador social é usado à custa deste expediente, o desafio que sempre vale a pena é seguir em sentido contrário, percorrendo uma vida de encontros com gente do mais diverso género, com origens e histórias de vida muito diferentes. Ouvi-las, viver com elas, gozar a vida.
Os arrogantes existirão sempre na sua masmorra de pedantismo a contar histórias de sucesso, de superioridade e vitórias próprias e dos diferentes elementos do clã, a desdenhar de supostos ignorantes – convencidos que comandam o mundo com a sua sabedoria e influência.
Para lá desse enjoo de vida, o mundo que interessa desenrolar-se-á livre da soberba em sãs relações humanas feitas de afecto e respeito pelo próximo.