Terminou a minha ronda pelos 28 + 1 debates. Nos últimos dias ouvi:
- Pedro Nuno Santos, do PS versus Paulo Raimundo, da CDU, de dia 17 de Fevereiro.
- Luís Montenegro, da AD versus Rui Tavares, do Livre, de dia 17 de Fevereiro.
- Rui Rocha, da IL versus Luís Montenegro, da AD, de dia 18 de Fevereiro.
- Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda versus Inês Sousa Real, do PAN, de 18 de Fevereiro.
Já não consumia tanta política desde, sei lá, a morte de Sá Carneiro em 1980 no dia a seguir a fazer sete anos, não, desde a rodagem de Cavaco Silva para o Congresso da Figueira da Foz em 1985, não, seria por ocasião do PRD liderado por Hermínio Martinho, aquele senhor a quem as vacas choviam no Tejo, não, desde as presidenciais de 1986 entre Mário Soares e Freitas do Amaral, sim, essas da Marinha Grande, não, desde os grandes comícios para a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva em 1991, não, desde a viragem para os Governos PS em 1995 para gáudio dos amantes do diálogo mole e parasita, não, desde a fuga do pântano de Guterres de 2001, não, desde o curto Governo de Durão Barroso de 2002-2004, não, desde a anedota que se seguiu de Santana Lopes, não, desde dos Governos do animal feroz José Sócrates e da época da bancarrota, não, desde o abnegado e imaculado salvador da pátria Passos Coelho que não gostava de pieguices e se rodeava de gente bastante menos abnegada e imaculada, não, desde o malabarista António Costa dos mundos e fundos, não, desde...
Há pelo menos 44 anos a ouvi-los.
Nas linhas acima só se vê o mais fácil, as parangonas e a frivolidade das quatro décadas e meia, não se vê o que está debaixo da pele, o questionamento, a tentativa de compreender as razões dos campos opostos, de congregar o todo. A eterna tentativa de harmonia e de respeito pelas diferentes visões. Aquilo que os basbaques da opinião audível exibem como espécie de triunfo particular e exclusivo - a Democracia -, invocando para si grandes qualidades de democratas e defensores da liberdade de expressão sem que a pratiquem no pensamento, no discurso e na acção.