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Uma vez ali perto deu-nos a nostalgia e fomos jantar ao Convívio onde íamos com frequência há 23 anos – altura em que já era um restaurante/cervejaria clássico. À época estava sempre lotado, hoje às moscas. Creio que estavam tantos funcionários quantos clientes dispersos pelas várias salas. Muito atenciosos, apesar do jovem brasileiro que se ofereceu para servir ter conseguido derramar o conteúdo do talher a cada investida nos pratos. Ao contrário do português mais velho, primoroso. O ponto alto do banalíssimo jantar que escolhemos foi o ananás grelhado com canela.
Mas não foi primeira escolha. Antes entrámos no Mercado do Bom Sucesso e planeava “experienciar” o “conceito” – não sei se consigo dar o devido crédito de linguajar aos tempos modernos – das diferentes bancas disponíveis no inovador espaço – bom, já um bocadinho ressesso dada a velocidade com que hoje tudo passa de moda -, quem sabe optando por uma das variedades de tapas ou pastas frescas ou risottos, enquanto ouvíamos a banda brasileira que tocava ao vivo, se encontrássemos uma mesa livre. Sucede que o Nuno pediu que saíssemos rápido dali atentos os decibéis. Quem não vê perde o sentido de orientação quando cercado de muito ruído; é como uma pessoa com visão encandeada por vários focos de luz intensa.
E foi assim, foi exactamente assim – qual José Hermano Saraiva a relatar as trivialidades da vida quotidiana -, depois de mais uma consulta no dentista do Nuno estivemos divididos entre o repleto universo da moda e o vazio mundo antiquado. Recorrendo aos estrangeirismos correspondentes: do hype ao démodé.
Por falar em restaurantes ontem em conversa próximos comentavam comigo que foram novamente ao António, em Leça da Palmeira, e a reacção do dono ao sururu depois de um artigo elogioso de uma figura pública. Nem cheguei a comentar, recordei para dentro a referência que fiz ao António n’ O Livro dos Três Princípios. Ainda bem que o descobriram. Espero que dêem o sossego que as coisas boas merecem.
E agora vou responder às mensagens que me chegam via Skype dali do vizinho do compartimento da frente – oiço daqui o martelar rápido no teclado. Gosto destas tolices. E continuar a contar tudinho no blogue como se fosse uma oriental a tirar fotografias aos monumentos europeus, sem sequer os observar senão pelo olho da lente, tamanho o apelo do registo em prejuízo do gozo – ai o drama, a tragédia de não aproveitar a vida nos termos convencionais, nos termos correctos. Uma maçada. Sofro tanto.