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Ontem acabei na descrição do jantar e noite de Sábado. Mas não havia falado da viagem de comboio entre o Porto e o Pocinho. Até à Régua uma paisagem muito do meu conhecimento sobretudo ali pelas bandas de Caíde de Rei. Senti o aconchego dos cheiros da infância. Os normais do campo e também particulares como o da fogueira de Inverno entre leiras e mata. Um cheiro característico de lenha húmida misturado com o odor a erva e mato.
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À chegada à Régua a percorrer a plataforma da estação as vendedoras com os cestos de rebuçados de mel. Odiava-os em criança quando mos traziam a Valinhas – não era muito fã de rebuçados e aqueles muito grandes e mal-amanhados para boca pequena. Gostava bastante mais dos pequeninos de café embrulhados em papel dourado e castanho, vendidos na Emilinha da Loja como chamávamos à mercearia a caminho da Escola Primária. Era o entreposto de distribuição de gás, e o marido o taxista da terra. Pais da C., colega de classe.
Em Ermesinde havia entrado uma excursão grande e barulhenta que encheu a carruagem. Ponderei descrever as conversas ouvidas a que sempre estou atenta, mas entretanto esqueci. Deveria ter retido uma em especial como se perceberá no último post desta série: um dos excursionistas recordava como anos antes ficara retido pela queda de pedras na linha. Saíram na estação do Tua, com destino ao restaurante Calça Curta, regressariam nessa mesma tarde.
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Depois da Régua a paisagem começa a embelezar e ficar mais desnudada de casario, o que sempre engrandece a Natureza. Um momento alegre: o da visão das bordas da linha pejadas de cactos. Recordei imediatamente o sonho da semana passada. Tal como a profusão de borboletas, sobretudo brancas, me avivou a memória para o sonho de há duas semanas.
Pouco depois, ainda na zona do Tua quando os restantes poucos companheiros de carruagem começaram a abrir as janelas, baixei também a minha e comecei a fotografar com entusiasmo. Quando dei por mim estava a chorar de alegria comovida pela visão da beleza, do curso rio, das ladeiras pedregosas. As quedas de água nas margens entre pedras e vegetação.
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Antes e depois o Douro Vinhateiro empresarial e sofisticado com as suas casas e quintas anunciadas com placas brancas escritas a negro no meio dos socalcos ondulados das extensas e penteadas encostas a dar um ar um quê hollywoodesco. A paisagem em declive sombreada a tons cinza nostálgico, reflectida no rio em espelho esverdeado musgo. Belíssimo.
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Logo a seguir a estação de Alegria com as janelas entaipadas e pintadinhas a fazer bonito para enganar turista – um pormenor que fará torcer o nariz aos pretensiosos por se acharem muito criteriosos e ao contrário da marabunta os únicos a topar o engodo, mas faz parte da realidade assim como a dita sem retoque, tal como os muitos castelos e muralhas reconstruídos que visitei em criança pelo país fora. Faltavam cinco estações no serpentear do rio, ora do lado direito ora do esquerdo desta bela região vinhateira do Douro.
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À chegada ao Pocinho: imperdoável, atrasámo-nos dois ou três minutos para o táxi por ter decidido tirar uma fotografia ao comboio. Ainda assim esperaram por nós.
(Escrito na Estação do Pocinho no dia de regresso, aproveitando o bom tempo.)
(continua no post do dia seguinte, depois do vídeo de música)