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03/03/2024

As pequenas coisas que compõem a vida

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Tem sido uma tarde amena, depois do almoço corriqueiro de ovos mexidos (com pimenta para o Nuno e não para mim que não aprecio), cogumelos e tomate temperado com azeite, vinagre balsâmico, sal e orégãos. Acompanhados de pão. Ou seja, o de sempre, muito habitual ao Domingo e já aqui relatado diversas vezes. Sabe-me especialmente bem por desde criança associar a natação a ovos mexidos. Nem só de novidades se faz a vida e o entusiasmo por ela. O ânimo bem pode vir também das rotinas. Por falar nelas hoje foi dia de Leste/Oeste e há que fazer referência aos dois últimos programas em que Nuno Rogeiro elencou resumidamente as propostas dos programas políticos dos oito candidatos às legislativas em matéria de Defesa (semana passada) e Política Externa (esta semana). Serviço público a destoar do habitual folclore informativo. Ao ouvi-lo hoje voltei a pensar que deveria fazer o tal Espanador acerca dos países europeus – é cada vez mais premente.


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A seguir ao almoço estendi a roupa que pus a lavar de manhã, falei ao telefone e dei uma vista de olhos pelo Comboio MiraDouro que faz a bela viagem Porto-Pocinho. Agora resta marcar na empresa os dois dias de férias para em seguida comprar os bilhetes de comboio e marcar hotel em Foz Côa.  E assim nos distrairemos das tensões que pairam no ar em termos políticos e de ameaça no plano externo. O blogue começa a fazer cada vez mais sentido para espelhar o invisível sentimento do mundo, este flutuar suspenso e expectante em cada um de nós, os atentos. Ontem dei por mim naquela sensação reincidente de “para quê?”, mas como sempre caí em mim: “porque sim”, por fazer sentido escrever o que penso e sinto ainda que pareça invisível. Bem sei que não o é e faço um pouco de draminha íntimo disso. Talvez sobrevalorize o que penso e sinto. Mas é assim. Além de mais dá-me genuíno prazer na maior parte do tempo. Prazer no sentido de me ver realizada a expressá-lo nos termos em que quero. É uma espécie de vitória no acto, ainda que nunca haja conclusão ou retorno. O retorno está no próprio acto de escrita, tal como na pesquisa quando é caso disso, ou na reflexão se a houver, mas também no imediatismo da exibição do lado mais fútil e trivial, e é desta amálgama que se tem feito as Comezinhas. 


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Em seguida comprámos online um adaptador de suporte de teclado para o Nuno voltar a usar o sintetizador mais antigo que estava guardado. Procurei na Internet e descobri o extensor à venda numa empresa de Barcelos. A ver vamos se tem qualidade. Gosto da sensação de acertar num palpite mesmo nas mais pequenas coisas. É bom ler outros. Há uns dias li um post de uma bloguer a indicar aplicações educativas. Logo ali achei que ia ter utilidade. E não é que descobri entre as aplicações propostas a Wordcloud? Há muito me tinha ocorrido que gostaria de fazer uma nuvem com o teor do blogue inteiro e assim que aprender a usar faço-o. Fica como tarefa para um dia das próximas semanas em que tenha tempo. Primeiro terei de gravar o último ano de blogue e juntá-lo à gravação que possuo em disco rígido – pelo menos imagino que a aplicação trabalhe em cima de um formato word. Enfim, logo se vê, mas gostei. Obrigada, Beatriz.


E é assim que vou passando os dias, uns mais atenta ao que marca o nosso destino colectivo, outros mais virada para as preocupações ou alegrias individuais. Os últimos dois motivos de alegria são tão simples quanto isto: saber que posso estar bem, recuperando depois de não dormir uma noite (não é bom abusar, mas é bom perder o medo) e começar a sentir que apesar de continuar muito susceptível a aragens exteriores consigo uma firmeza que me faz recuar muito atrás no tempo. É outra vitória. Ser ofendida ou magoada e ainda assim passar adiante, focada nos meus interesses. Talvez por isso as coisas valham pelo acto em si e pela importância que têm para mim e não pelo retorno. Claro que digo isto tudo e ponho a hipótese de uma ventania varrer-me todas estas considerações, mas lá está, somos volúveis e vulneráveis: frágeis até na assunção da própria força.