(23 de Março)
Passa pouco das nove e meia da noite e este foi um Sábado suave. Ao fim da manhã, depois de tratar das roupas, procurei notícias do meu sobrinho saído de uma cirurgia. Estava ainda muito combalido. Soube há poucos minutos que já se encontra melhor. Fiquei descansada. Almoçamos o resto do risotto que fiz ontem à noite, repetindo com o resto dos ingredientes da semana passada, mas de forma mais aligeirada, juntado logo a água com os vegetais de uma só vez. Assim, sendo prático, pode ser que repita.
Ao início da tarde estava combinado sair com a T. Íamos ao antigo Cinema Batalha, que está convertido num espaço aberto ao público com biblioteca, livraria, café, além de cinema propriamente dito. Iríamos matar saudades de um cinema que conhecemos bem dos anos 90. Mas uma indisposição da T. levou a adiarmos o programa para melhor oportunidade, o que me agradou pela maior vontade de uma tarde de lazeira em casa. Fiquei na madornice com o Nuno. Afinal na noite passada deitámo-nos tarde. Ele nos arquivos musicais. Eu feliz a espiolhar vidas suecas, norueguesas, alemãs, britânicas, gregas e portuguesas. As minhas primeiras investidas de leitura ligeira para o futuro Espanador. Além do prazer em planear futuras escritas, gozo com as pesquisas. Ainda que não escreva as entradas e ainda que retenha pouco devido às dificuldades de memória, o gosto de espiolhar ninguém mo tira. Já cá canta - esta expressão reporta-me à meninice e à leveza dos meus tios G. e F..
A seguir ao almoço ficámos a conversar e um dos temas foi o da suposição de termos seis meses de vida. Depois de tão extenuante entretém deitámo-nos e saboreamos a tarde de Sábado. Acordei bem-disposta já perto da hora de jantar. Comemos massa chinesa, conversei ao telefone contando o modo como a perspectiva é tudo e como cada um tem medidas diferentes de valorização dos bens materiais; em suma: sinto-me bem tendo vindo viver para uma zona da cidade menos rica, distanciando-me da amplitude casas caras e carros faustosos, e como isso marca alguma distância de pessoas que me são muito queridas, mas vivem com medidas diferentes da minha e da maioria dos amigos que fui tendo ao longo da vida.
Entretanto decidi fazer um postal no qual descreva a hipótese de me deparar com o anúncio de ter seis meses de vida.