Orgulho na raça humana é o que sinto.
Há dois anos comovi-me ao ver na televisão ucranianos a dispersar ordeiramente de um improvisado concerto de música ao ar livre em Kiev para recolher aos abrigos ao soar das sirenes que avisavam bombardeamento iminente. Sem vestígios de agitação. Só coragem. Coragem.
Hoje comovo-me ao ver também na televisão centenas de russos cercar a igreja de Moscovo onde decorreram as homenagens fúnebres de Alexei Anatolievitch Navalny, opositor do ditador, escroque e facínora Putin e seu regime de capangas. Sem agitação. Só coragem. Coragem.
Gente que admiro à distância, com uma vénia de enorme respeito.
O consolo que tenho é a profissão dar-me o gosto de falar com gente de muitas nacionalidades, incluindo ucranianos e russos. É a minha modesta forma de ter contacto com a realidade, daqui deste ainda paraíso à beira-mar plantado.
Tudo tão longe das manifestações e reivindicações excitadinhas e fúteis dos meninos e meninas dos 8 aos 80 refastelados na comodidade de vidas fáceis, desafogadas e sem especial risco.
São as hierarquias de valor.