Se tentar espremer os três últimos dias, o que sai? No Sábado acordei cedo como é habitual nos últimos anos. Mas de ressaca da boa-disposição da noite anterior. Como se tivesse de pagar o preço por ter estado alegre. Não bebi senão o meio copo ao jantar, gente má-língua. Refiro-me a ressaca em termos figurados. O maior à vontade e soltura comigo mesma da meia-idade trouxe também mais variações de humor. Ou menor tendência a reprimir os humores. Ou costumava ter tudo mais sob controlo ou de facto estou mais solta também nas más-disposições.
De modo que no Sábado de manhã escrevi o que me veio à cabeça. Implicações com os defeitos alheios. Afinal não convém focar apenas nas pechas próprias.
Depois do almoço recebi os meus pais para a leitura habitual e o cafezito. E tentei alterar a disposição dos quadros da sala e do segundo quarto. Simplesmente trocá-los de lugar. Não correu bem à primeira. Esburaquei mais a parede e acabaram por cair os de traços e cores fortes da sala. Só no Domingo assentaram no poiso desejado. Ainda no Sábado ficaram pregadas as flores em tons suaves no segundo quarto. Assim por lá ficam os últimos vestígios de suavidade que idealizei ao montar a casa de Bessa Leite. Já não tem lugar na cabeça e vida de hoje. Além de mais tirei também o relógio de pintura propositadamente desgastada para dar ar de velho e a inscrição “Imaginary” que está sem ponteiros há anos e resolvi livrar-me dele.
Saí a meio da tarde em busca de uma moldura, da casa de fotografias para imprimir duas imagens e de gesso para tapar os buracos. Comprei a moldura, as lojas de fotografia e a drogaria estavam fechadas. Pelo que vou ter de esperar para me estrear na arte de trolha. Ainda assim no Domingo pus molduras com três fotografias: uma do Nuno em adolescente no Brasil, outra da minha enteada trajando de enfermeira e a última nossa no almoço de casamento com os três amigos que o testemunharam. Esta está provisória por ser uma cópia mal-amanhada conseguida na loja do indiano aqui da rua. Usei pregos “amigos do senhorio”, dados pela minha mãe e assim denominados na loja do chinês. Têm uma mini chave de fendas de plástico azul apetitosa para segurar o prego e evitar martelar os dedos.
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Antes, no Domingo de manhã, li em voz alta três entradas dos Titãs e nadei 37 minutos. Ao almoço vi o jornal, depois o Nuno Rogeiro. E de tarde creio ter perdido tempo. Bem bom. Dormi também. Durante o fim-de-semana não ouvi debates.
Esta segunda-feira senti calor. De manhã vesti roupa a mais, não me apercebendo da subida da temperatura. Escrevi mais um post crítico. À tarde estive confortável. Há quem vá interpretar que o desconforto térmico provoca mau humor. Ao longo do dia ouvi dois debates sem grande atenção e dei os giros habituais pelas leituras online. Pareceu-me ter visto uma reacção desajustada a um post anterior meu, mas posso estar enganada. De qualquer modo, se era intenção reagir erraram completamente no alvo. Enfim, patetices. Sigo caminho indiferente ao que possam pensar e mesmo desinteressada do que eu posso julgar erroneamente que pensaram.
Cheguei a casa com a ideia de fazermos um cruzeiro de fim-de-semana no Douro, com regresso de comboio. A ver vamos se concretizamos. À noite vi o debate do dia. Tenho opinião bem definida sobre o dito, mas não vou dá-la, pelo menos hoje, depois logo vejo se me apetece. Mas o mais provável é que não dê. Afinal o dia 10 de Março serve para isso. Depois do debate demos uma volta pelas redondezas, rimos e o Nuno disse que estava farto de ser explorado, referindo-me ao quão chata sou pedindo que opine acerca do que escrevo e quão mal reajo quando diz coisas que acho não fazerem sentido. Disse-lhe que se está cansado, arranje outra. Ele retorquiu que eu tenho de mudar. Desenganei-o: não vou mudar. E rimos.
Ao sentar-me aqui na mesa do computador a ideia que voltou à mioleira a propósito de postais como os das compras do supermercado, das plantas, dos pássaros, diários comezinhos, voltinhas de fim-de-semana, planos vulgares, curtas leituras, jantares triviais, etc, foi a de dar-me como exemplo aqui no blogue numa tentativa de representar os pequenos (e grandes, quem sabe?) problemas e preocupações e as concretizações do dia-a-dia de um português comum, acabando por dizer bastante mais nas linhas e entrelinhas do que os quilómetros de opinião tida por muito séria e rigorosa debitada nos espaços informativos da televisão, dos blogues e outras redes sociais. Repito o que disse aqui num postal antigo com o título Alfarrabistas. Se não representar o português comum, representar-me-ei a mim e às minhas misérias. Nem tudo está perdido. Até porque ainda que tudo evapore nada foi em vão: valeu ter-me entretido a dizer o que sinto e penso de modo independente.