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03/02/2024

A fotografia na aprendizagem

Em novita devido à miopia descobri por experiência que se enrolasse o dedo indicador no polegar fazendo um orifício através dele conseguia focar o olhar para ver o quadro nas aulas, distinguindo o que lá estava escrito. Explicaram-me mais tarde que o mesmo faz o diafragma das lentes das máquinas fotográficas. Diminuindo ou aumentando o orifício obtém-se maior nitidez ou desfoque.


Se o campo de visão ou dados for muito extenso, por mais pareça tentador abarcar tudo, não captamos com precisão. Temos uma percepção genérica superficial. Uma mancha indecisa de realidade surge e aquilo que integramos no nosso pensamento e sentimento virá com uma margem de erro substancial. Se formos fechando o diafragma a cada paisagem, fonte de informação ou ideias obtemos maior nitidez, exactidão e mais conhecimento. Se somarmos as várias imagens parcelares capturadas conseguimos reconstituir o campo de visão total que vimos com o diafragma aberto, com a vantagem de distinguir melhor todas as formas, texturas e cores. Com a vantagem de entendermos melhor as ideias que fazem o todo.


Há factores de saúde e da formação de cada personalidade que podem beneficiar ou prejudicar o processo de integração da realidade - da aprendizagem. E nem todos são óbvios. Poderia pensar-se que gente mais informada e com uma base mais sólida de conhecimento estaria mais preparada para integrar nova informação e saber discernir acerca dela. Sucede que o acumular de conhecimento pode comprometer quer a rapidez quer a eficácia dessa apreensão. Uma mente estúpida pode constituir uma base mais eficiente no processamento da informação. Ao passo que a complexidade de mentes mais preparadas, ao introduzir inúmeras variáveis de interpretação, pode prejudicar a eficácia e a clareza na resolução dos problemas. Por esta razão e também por comportar tantas vezes inúmeros preconceitos ou vícios de raciocínio a sapiência nem sempre é a ferramenta mais útil.


No sucesso da aprendizagem interfere ainda um factor relevante: o equilíbrio mental e emocional. Recorrendo à metáfora da lente da máquina fotográfica talvez se consiga passar a imagem da dificuldade em compreender o mundo dos pensamentos e sentimentos sem experimentá-los não só com o fecho do diafragma - um leque alargado de vivências intensas poderá facultar uma melhor compreensão do mundo da razão e do afecto -, mas também com o distanciamento através da desfocagem necessário ao descanso do cérebro e do coração. O equilíbrio é conseguido pela capacidade de focar e desfocar em função da inteligência emocional.


Como se consegue este equilíbrio? Com estudo, experimentação e sorte no amor.