Corro o risco de considerarem que falo no ar sem concretizar, ou melhor, sem identificar as pessoas de quem falo. Tanto melhor, é mesmo essa a ideia. Não gosto de intriga. Há momentos ou assuntos em que é preferível o pensamento à personificação, que só introduziria excite e curiosidade. A propósito de cinema esta semana li por acaso duas pequenas passagens - de pessoas que não conheço e de quem foi a primeira vez que li textos - são da água para o vinho e exemplificam distinguindo aquilo que gosto daquilo que não gosto nem um pouco.
Num caso falava-se de um filme de época e admitia-se logo à entrada desconhecimento de factos históricos relevantes. É sabido que gosto de franqueza e mais ainda da admissão de ignorância, sobretudo quando vem acompanhada de curiosidade e vontade de aprender, que é o caso da autora que logo a seguir demonstrou ter suprido a lacuna no seu conhecimento procurando entender o que sucedeu no contexto histórico retratado pelo filme. O texto estava bem escrito, sem erros nem pretensões.
O segundo caso era uma tentativa de catalogação e julgamento de um filme a imitar os críticos de cinema. Mal escrito e com recurso a jargão técnico em inglês para impressionar quase nada se aproveitava. Meia dúzia de linhas de sentenças no vácuo.
Nada melhor do que aprender. Nada pior do que achar que se nasceu ensinado e se dá lições. E a minha crítica não é em especial ao uso do inglês, até porque há quem seja muito patriota nisto da escrita e recorra sempre à exibição de sapiência, ao acinte e à sentença, nunca admitindo desconhecimento e defeitos próprios tal é o umbigo. Em suma, há quem minta bastante e viva da aparência. Preferirei sempre a lisura de quem não esconde as falhas.