As últimas 24 horas neste blogue deram para tudo. Para o alerta de perigosas tolices da “ciência” médica no mundo online com que ninguém se parece preocupar, para devaneios sobre sentimentos, para a diatribe contra a vacuidade e a ofensa gratuita com que também quase ninguém se parece importar, para leitura de reflexão de uma cabeça estudada e avisada. E agora?, para terminar o dia, acrescentar o quê?
Três patetices. A primeira para dizer que um dos momentos altos do dia de ontem foi voltar a apanhar o vento gélido enquanto fazia o percurso da piscina municipal para casa de casaco aberto para não perder pitada do que melhor a Natureza pode oferecer: contraste. O frio voltou em força. A segunda para registar que voltei ao gabinete base: já não estou só durante o dia de trabalho. A terceira e última para recordar que há uns dias abri uma daquelas páginas muito inteligentes do mundo lifestyle. Ensinava o que não possuir no quarto para um sono de qualidade segundo as regras de Feng Shui. Lembro de três erros crassos: móveis grandes, livros não lidos e arrumação debaixo da cama. Escolhi-as por cometer todas estas heresias contra a arte chinesa. Não sei se me culpabilize - será que os juízos inteligentes contra a culpa judaica-cristã colhem aqui?, ou não valem se tiverem o cheirinho exótico da aculturação? -, por ter uma cama com medidas além standard e um roupeiro igualmente grande num quarto pequeno, por manter livros que ainda não li na mesinha de cabeceira, porque enquanto há vida há esperança, e a cama ter gavetas de arrumação em baixo. Não sei se adira à moda do colchão no chão e me livre de todos os móveis vivendo de ar e vento - ups, essa já passou; já não vou a tempo - para dar um ar minimalista. Esta vida moderna é uma canseira. Não sei para onde me vire para agradar ao lifestyle. Para bem, para viver verdadeiramente integrada, deveria obedecer à correria desenfreada do parecer bem, satisfazendo cada capricho das modas. Não compreendo como me consigo sentir bem sem isso - deve ser coisa de gente pelintra, sem bom gosto, desfasada da realidade, chata, enfim, não percam tempo. Isto não tem interesse nenhum.