Afogados em catadupas de ocorrências manipuladas, desconfianças e conflito não conseguimos emergir à superfície para sentir a vida e a beleza - para lá da crueza e fealdade - ainda que delas tratemos como se fossemos escalpelizar mais um tema da actualidade, instruir e persuadir os passantes da nossa verdade ou, simplesmente, desbaratar tempo de vida confundindo-a com o absurdo veiculado no espaço público que se sobrepõe e substitui a realidade comezinha, matando-a. Vivemos submergidos no artifício da informação.
Este excerto foi retirado da belíssima e celebérrima colectânea que ainda não escrevi nem vou escrever, mas cuja publicação não me pode envaidecer mais: As coisas que aprendi. Parece insano ou simplesmente pateta? Não mais do que a realidade paralela do espaço público que ecoa em todas as bocas convencidas da sua sapiência. Bem-vindos à consciência do mundo absurdo, no qual cada um julga poder ser o que quiser e os outros o que julgar.