Ajudada pelo comentário da semana passada de uma pessoa muito mais nova, inteligente, sensível e que confia nos outros, de que tudo na vida tem uma explicação cognitiva vou tentar explicar a sensação que tenho ao ver postais antigos das Comezinhas abertos por outros “por associação” a pensamentos meus não revelados.
Hoje até nem é dos casos mais patentes. Há dois dias lembrei-me deste postal por ter visto noutro blogue uma imagem de letreiro. Foi uma associação simples. Mais uma vez não comentei com ninguém nem fiz visitas online alusivas. Lá foi aberto ontem por quem visitou as Comezinhas. Este em particular não espoletou em mim nenhum encadeamento de ideias e conexões. Ficou-se por aí mesmo.
Mas em muitos casos esta coisa das conexões e dos sub-entendidos próprios da vida em rede, onde ninguém conhece ninguém verdadeiramente, cria um montão de associações que podem gerar mal-entendidos e mal-estares. Primeiro pela dificuldade em confiar nas boas-intenções depois pela superficialidade das relações. Acresce que quando há fragilidades mentais e emocionais o sub-entendido pode descambar para o campo da insanidade. Noutra perspectiva, o que pode parecer falta de sensatez – mania da perseguição, falta de tino – ou noutros casos frieza, é antes: cautela. E distingue-se do cinismo de achar-se superior a estas questiúnculas e desconfiar de tudo e todos, dissimulando nos diálogos a verdadeira natureza.
Tudo isto só é ultrapassado pela confiança que só existe, para lá dos casos em que se é muito novo ou se arrisca muito por afinidade à primeira vista, quando há a segurança dada por um grau mínimo de intimidade, o que só acontece quando as pessoas se respeitam e tratam como iguais. Não havendo confiança nada de bom se cria. A sensação que sobra é: ah, se eu pudesse confiar.