Na última quinta-feira passei parte importante do serão a tratar de contas. De anos a anos volto ao mesmo. Assentar receitas e, sobretudo, despesas. Em Janeiro de 2023 havia feito um balanço de curto prazo e na semana passada voltei ao mesmo, mas desta vez tomei nota. Um dia ainda chegarei ao ponto de usar o excel e os gráficos para embelezar as conclusões nestas matérias. Lembro-me de o fazer pelo menos desde que tomei a decisão de comprar a minha primeira casa: esboçar um orçamento com as receitas e despesas para aferir a possibilidade e dimensão do empréstimo bancário a solo (e sem fiador) que viria a contrair. E assim me habituei a fazer a cada mudança de vida ou, nalgumas circunstâncias, a cada conjectura de alteração de vida. Gosto de planos B e de não ser apanhada desprevenida. Se bem saiba que os planos saem muitas vezes furados, o campo das probabilidades existe e convém ser previdente e sensata.
De modo que na passada quinta-feira defini a receita, a poupança e os encargos fixos (seguros, empregada doméstica, condomínio, serviços de água, energia e telecomunicações, passe de transportes, impostos e comissões bancárias), as despesas com supermercado e com Uber (transporte e entrega de refeições), os gastos na farmácia, com vestuário e calçado, lazer, livros, viagens e presentes de aniversário e Natal. Fiquei a conhecer o peso relativo de cada um. Tive uma única surpresa, no geral é o que contava para vida de remediada - muitos com os mesmos rendimentos dir-se-iam pobres na qualidade de lamurientos videirinhos, outros dir-se-iam bem-instalados na qualidade de desfasados da realidade e óptimos candidatos a viver de aparências acima das possibilidades, nomeadamente com recurso imponderado a crédito.
Esta quinta-feira mais cedo ligou-me finalmente o canalizador a disponibilizar-se para fazer a obra na casa de banho: pôr a ansiada cabine de chuveiro nova. Tinha-lhe telefonado no início do mês a dizer que o queria fazer em Março e parece que desta sempre vai acontecer. A confirmar o começo da obra exterior do prédio em Abril pode ser que tudo desemperre por estas bandas.
E ainda esta quinta-feira ocupei parte do serão com outro tipo de preocupação no sentido de antecipar. Afinal é do que trata este postal. Escrevi pouco mais do que uma página com a descrição de sintomas que podem ou não caracterizar um problema de saúde cá de casa. De vez em quando – ainda é raro, mais adiante na idade é natural que o comece a fazer com maior frequência -, descrevo “as queixas” de saúde para relatar aos médicos. Faço-o não só para mim como para o Nuno porque assim deve ser. Tenho a folhita pronta e imprimir para entregar ao médico. Uma vida tendencialmente organizada.