Na quarta-feira repeti a burricada que tinha feito no ano passado. Distraí-me e tomei em jejum o comprimido de zinco, um manipulado da farmácia que me receitaram novamente por causa da queda de cabelo. A dificuldade é conjugar a medicação com as refeições atenta a profusão de químicos que ingiro diariamente. Resultado: fiquei retida em casa de manhã em mau estado. Li mais tarde páginas da Internet que o aconselham em programas de dieta. Não haja dúvida que a imbecilidade é livre. Emagrece com toda a certeza e em poucos minutos/horas. Se experimentarem várias vezes pode ser até que desapareçam de tão magros.
Na quinta-feira fomos à consulta do Nuno que trouxe o diagnóstico (provisório) de uma nova doença para a nossa casa – para completar o catálogo. Na maioria dos lares seria tida por péssima notícia, tal como teria sido para mim há vinte e cinco anos. Porém o tempo e as vidas mudam tudo: fiquei genuinamente contente. Foi como se fosse ao médico temendo uma pleurisia e saísse de lá com o diagnóstico de constipação. O Nuno ficou um pouco abalado, mas teve muito mimo e telefonemas demorados de todos e logo se recompôs, que remédio. A perspectiva é tudo na vida, pelo que fomos jantar à tasquinha daqui da rua para festejar. Ele comeu uma espetada, eu salmão. À chegada a casa caí na cama redonda de tão cansada.![]()
Entre quinta e sexta-feira apresentou-se uma questão profissional que ainda não deslindei. Começa a aproximar-se a circunstância esperada mas sem prazo certo que há-de definir o meu futuro nessa matéria. E continuo sem saber qual vai ser esse futuro. Para meu desagrado compete-me – já dei o passo antes sem que pudesse ver resultados atentas circunstâncias objectivas que ultrapassam a vontade de quem pode decidir - voltar a chegar-me à frente para uma conversa sobre a definição da minha situação. Ainda não o fiz outra vez, talvez mais por temer resposta positiva de que negativa. A negativa significa apenas a manutenção da vida tal como está, com diminuição de benesses, nada a que não esteja habituada e viva bem. A positiva ou a abertura à possibilidade implicaria da minha parte voltar a impor condições a que não estão habituados e agora em contextos que me são desconhecidos. Mais do que tudo implicaria um passo fora da concha, que por mais áspera e limitante possa ser, confere sempre a sensação de protecção. Claro que o conselho sábio que dou a mim mesma é o de não perder nada em propor os meus termos e ouvir a resposta, apesar de saber que o mais provável seja um não. Simplesmente adiei.
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Este Sábado, depois do acordar, do café bem-disposto e da mimalhice do gato, saímos apenas de manhã para fazer uma digitalização de documentos na loja do indiano na rua e ir à padaria. Viemos para casa e almoçámos filetes de dourada, que não me souberam particularmente bem. Passámos a tarde inteira na lazeira, na melhor das sornices, ou nem tanto na inércia assim. Deu direito à bebida de fim-de-semana – desta vez vodka limão - para molhar a garganta seca. Portei-me bem, bebi apenas um quarto da garrafita, assim sobra para a próxima vez. Quem sabe amanhã? Só faltou o cigarrinho a meias. Hoje senti a falta deste remate.
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No fim do dia ouvi dois debates e conversei ao telefone. E esta noite como é muito costume cada um no seu estaminé. Com visitas regulares para partilha de leituras e audições. O Nuno veio mostrar-me David Holland e daí parti através das sugestões do YouTube para Kham Meslien, que oiço enquanto escrevo. Amanhã prevejo um dia bom, apesar de não ter nada como certo. Se tudo correr bem, tomaremos café bem-disposto a meias com a mimalhice do gato, sairei para ir nadar, lerei as notícias, almoçaremos quiçá uns simples ovos mexidos, tomate, azeitonas e pão, veremos o jornal das duas, faremos mais sorna ou nem tanto, ouvirei mais um ou dois debates, voltarei a entrar no mundo de ficção de um amigo e ao fim do dia ouvirei a minha bruxa de Domingo - agora tem dia certo.
Mais? Seria escusado perder tempo com estas coisas que desgastam e estragam o lado bom da vida, mas conto que por estes dias tropecei novamente na intrujice barata de quem continua a tentar inventar enredos de heteronímia auto-justificativos por divertimento e masturbação narcisa em vez de pura e simplesmente assumir sem historietas falsas próprias de romance de cordel as borradas que fez na vida e desaparecer de vez, tal como tropeço por burrice (devia simplesmente ignorar) em mais do mesmo vindo de outra banda: na leviandade e no gosto pela ofensa. Podiam juntar-se os dois à esquina a tocar a concertina e dançar o solidó. Perfeitos paspalhos ao triste fim dos quais terei todo o gosto de assistir a distância cautelar para não sentir o cheiro nauseabundo a que fedem.
A próxima semana fechará o mês e com ele espero ter encerrado a audição dos debates e conseguir organizar algumas ideias acerca do que cada um defende. Nada que julgue vá alterar a minha decisão de voto nulo, mas por mero interesse e curiosidade pelo que se passa na cabeça dos meus compatriotas votantes. Sempre quero tentar compreender como observam e decidem os portugueses depois de tudo quanto se tem passado nos últimos anos e quão condicionados estão pelas lavagens cerebrais.