
Eis que regresso a casa. Estive no HotFive Jazz&Blues Club três horas e meia. Das quais duas e meia, com pequeno intervalo, a deliciar-me com música ao vivo. O concerto de Pedro Neves ao piano, João P. Rosado no contrabaixo e Miguel Sampaio na bateria. Seguido de Jam Session.
Não vou nem sei falar da mestria dos músicos em causa. Apenas digo que foi com enorme gozo que senti a entrega, cumplicidade e alegria entre os três músicos. Maravilha de ritmos e harmonias que ora se encontram ora se desencontram numa dança que nos acerta não só o cérebro como corpo, como só no jazz sabe fazer. No palco estavam a tirar enorme partido da execução divertindo-se na descontracção natural que é tão comum nos clubes de jazz. Foi um regresso a estes ambientes e não poderia ter sido mais feliz. O músico na sala que integrou a Jam Session era um rapazinho novo, acompanhado pelos pais que só os pode ter orgulhado, já que entrosou ao melhor nível.






Não sei nada de música, mas sou a tal que continua a vibrar como uma criança ao olhar pela janela do avião ao ver a asa a cortar as nuvens, a chorar quando fico frente a frente com algumas telas de Van Gogh e a quem basta uma noite destas para estar no céu. Foi muito bom.
Por fim e não querendo estragar as palavras com nota negativa, não posso deixar de ficar com pena que num tempo em que se vendem com tanto sucesso miadelas e caixas de som automático a fazer as vezes de música, não posso deixar de ficar com pena, repito, que músicos desta qualidade tenham apenas cinco mesas de assistência – ao que parece Domingo é o dia mais parado, mas ainda assim é triste. Claro que falo também contra mim já que há dois anos dizia lá querer ir e só agora me resolvi. Éramos a única mesa de portugueses na sala.
Aconselho vivamente um programa de jazz no Porto. No HotFive ou noutro clube da cidade.
Boa noite. Boa semana.
(é possível que não haja O que é esta segunda-feira?, acho que estou perdoada.)