O Porto, outra vez.
Na última vez que fomos a Almada, no regresso de Domingo, ao aproximar-nos das Devesas, decidimos não seguir até Campanhã e apear em Gaia como acontece algumas vezes. À porta da Estação, ainda um pouco agitados com as movimentações que as entradas e saídas do comboio sempre implicam, e hesitante em chamar o Uber, perguntei ao Nuno se achava bem irmos comer qualquer coisa ali perto no Pingo Doce junto à casa onde vivi 17 anos. Respondeu-me: claro, agora que já estamos na nossa terra é tranquilo. Foram das palavras mais surpreendentes e bonitas que lhe ouvi e ele é pródigo em dizer-me coisas bonitas – não podem imaginar como se me encheu o coração quando o ouvi dizer isso. Saber que se sente aconchegado nesta terra e se sente acarinhado pela minha família e amigos, que agora são também dele, é uma bênção.
O orgulho que tenho no Porto é também este: fazer seu filho quem chega, fica, sente e trata bem a cidade e a sua gente.
E isto é escrito num dia particularmente difícil para os dois, especialmente para o Nuno. Num dia francamente mau em que teria todas as razões para ver tudo negro, mas os laços que nos atam aos nossos e a fibra da cidade não nos deixarão quebrar.