Estou quase a encerrar o dia de trabalho. Depois de três dias a não conseguir chegar a tudo, ontem fechei o estaminé com a boa sensação de não deixar nenhuma pendência. Mas hoje, se pensar um pouco, consigo descobrir uma série de pequenas tarefas que poderia ter concluído ou adiantado. Nada preocupante: a próxima semana também é semana. E é nesta filosofia de vida banal que sigo: ter sempre o que fazer e ir fazendo o que é possível, no trabalho ou em lazer.
Há pouco quanto a escritas ponderei por segundos se devia deixar os remoques gerais e rever as ideias para as expressar pela positiva. É um exercício como outro qualquer. Todavia não creio que vá por aí, seria só mais uma das muitas e muitos a compôr flores para enfeitar a realidade no intuito de cativar atenção. Lá serei desagradável mais uma e outra vez. Uma maçada. Tentarei escrever esta noite se o sono após o jantar não me derrubar. Na última semana não li nenhum livro. Este fim-de-semana penitencio-me (ai, as meninas e os meninos dos pregões anti-culpa e anti herança judaico-cristã ficam já nervosos com estas palavras). Coitadinha, sofre tanto. É tão amargurada. Vive a auto-recriminar-se. Deve ter sido tão maltratada. Além de mais está sempre a bater na mesma tecla. É obstinada. Deve ser doença ou tendência para a manipulação. Temos de lhe mostrar a luz, tirá-la daquele poço sem fim de sofrimento. Ou então crucificá-la como costumamos fazer a todo o o bicho-humano que não se comporte segundo a normatividade asséptica. Fico tão enternecida com esta ajuda caridosa dos bem comportados e eternos felizes. São tão magnânimos. Saia um louvor para todos os que estendem a mão aos pecadores, levando a luz do conhecimento oco e a alegria esfuziante aos arrependidos e crucificando os impenitentes. Que seria o mundo sem a glória dos puros?
Bom, nas últimas linhas podia mudar apenas a terceira pessoa do plural para a primeira, incluindo-me no lote de palermas. Era mais simpático e com toda a certeza mais verdadeiro. Não o vou fazer por dar trabalho, mas considerem que as críticas estão escritas e dirigidas assim, na primeira pessoa do plural. É um exercício como outro qualquer. No caso de honestidade.
Bom fim-de-semana.