As evidências tal como as anedotas não se deviam explicar. Mas vá lá conhecer o porquê sinto a necessidade de o fazer. Quem sabe não será vontade de doutrinar, a tal tentação muito em voga e tanto critico nos outros.
E qual é a evidência? O caricato da exibição da vaidade. Decorre de uma embirração de sempre: deparar-me com gente que se dá como exemplo de correcção a seguir pelos outros. Seja como modelo de vida ou de comportamento, seja como prodígio em qualquer actividade ou circunstância, as referências a si próprio, explícitas ou tácitas, são elogiosas por contraste aos que erram ou não conhecem. Na maior parte dos casos é de um ridículo só.
Enquanto tiver juízo, a cair no erro da doutrinação, farei sempre a contrario. Espécie de psicologia reversa. Dando-me como exemplo de falha, de defeito, espelhando as minhas fraquezas. Como sempre vi fazer aos meus mais queridos – alguns já desaparecidos. E a gente que vou conhecendo e admiro. Há ocasiões em que embalo no engano, mas logo encaro a realidade: não sou adepta de vedetas nem fã de ídolos ou bonzinhos.
Hoje as moralidades são assim: curtinhas. E uma contradição em si mesmas: pois, se ao dar a minha receita caio no mesmo ridículo.