
Jardins do Palácio, 4 de Novembro 2020.
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Confesso os momentos em que deixei correr as lágrimas só por me aproximar do Porto. Foram muitos. Chegada a casa de carro, autocarro, comboio ou avião, ao sentir o aconchego da cidade comovo-me. Creio que metade da minha vontade de viajar – e céus, é muita apesar de pouco o fazer nos últimos anos –, é desejo de regressar. Sinto-me afortunada por viver neste chão que não é meu de nascença. Sou filha de pai gaiense e mãe portuense, e creio ter tomado posse do Porto, não só por herança como por usucapião. Chamam-lhe bairrismo. Orgulho tonto. Será. Mas é absolutamente sentido. Nestes dias difíceis em que tropeço nos que choram de preocupação e medo de perder os seus, vale-me o exemplo desta terra de fibra. Bonita, digna e de valentes corações.