Há uma semana li uma balela qualquer sobre a técnica de projectar a vida a 10 anos para estabelecer objectivos. A ideia é -, nada que não saibamos todos e já tenhamos experimentado -, visualizarmos a nossa vida daqui a 10 anos de acordo com os sonhos ou ambições, de modo a começar a agir ou trabalhar no sentido de os concretizar.
O cúmulo da procrastinação é esta leiturinha vir à cabeça várias vezes ao dia e pensar: logo tenho de tirar uns minutos tranquilos a pensar nisso, mas nunca chegar a arranjar esses minutos. O cúmulo é adiar a própria idealização.
Mas no fundo até terei desculpa, afinal passo a vida a projectar, tantas vezes nas nuvens, outras com os pés mais assentes no chão. No fundo ainda há menos de duas semanas tracei no caderninho dos desejos cinco objectivos de curto prazo. Ainda no primeiro de Janeiro tracei no mesmo caderninho os planos para este ano. Nalguns casos são os mesmos há cinco ou quinze anos. O bom é que parte deles foi concretizado, se vir bem a maioria – é o que dá desejar o possível. E bem sei que convém saborear as conquistas como muitas vezes me lembram. A busílis é mesmo desenguiçar as questões que não atam nem desatam. Uma delas há 30 anos. Não sei viver sem apontar para o futuro. Detesto estar presa a enguiços antigos que me tolhem os movimentos. E dou por mim uma vez mais no blogue – é local próprio, afinal isto foi criado para ser um diário - a falar com os meus botões e a dizer-me: deves seguir o exemplo de há três anos em que encetaste uma vaga de mudanças na vida, que ainda decorre. Quando se começa a desenlaçar a vida, ela engatilha e começa a entrar no eixo, apesar dos reveses que sempre acontecem. Deves aproveitar o balanço e ganhar determinação (e paciência, quanta paciência é precisa) para resolver os enguiços que parecem não ter solução – e esperar que a sorte ou azar não enviesem completamente o resultado. Bom, se for a sorte inesperada, aceitas agradecida. Gostas de surpresas.
Com que então: planear a 10 anos?, dizia a leiturinha. Hum, é uma tentação. Afinal se tive talento para idealizar a vida de outros a 10 ou 20 anos de distância, acertando bastante nos prognósticos, porque não terei da minha? É só observar, avaliar e fazer pela vida driblando o destino. E a mudança faz-se fazendo, como o caminho.
Mais logo ou amanhã hei-de arranjar uns minutos tranquilos para projectar a vida a 10 anos. Ou noutro dia. Hei-de arranjar uns minutos tranquilos.