
*
Desconfiada da sombra
abriste a vidraça
para investigar.
Nada mudou.
Sempre escuros,
ramos de árvore ao luar.
Eternas e sós,
tu e ela.
Em silêncio.
Menos longe,
a água revolve a torneira,
chia a porta de madeira.
A moto passa,
só para contrariar.
Lá fora,
no mundo imenso
gemido do cão,
grito do pássaro
à lua,
bem familiar.
Ainda ontem
a borboleta batia à janela -
porquê?