Deixar vazio. Criar espaço. Cercada de estridência até já cansas de falar nela e nas certezas alheias, não vás também ampliá-las. Rodeada de esponjas do fácil e da pseudo-tolerância a debitar condenações e falsa segurança íntima. A maioria por falta de pensamento estruturado. Os outros ainda agarrados ao paradoxo da intolerância popperiano, dependentes das lições do passado sem o necessário cálculo do futuro previsível. Com grau zero de tomada de consciência íntima, apesar da praga dos apelos à “consciencialização”. O esvaziar de conteúdo das palavras marca o tempo presente, promovendo tudo quanto se diz querer evitar.
Há uma ideia dos últimos meses de Comezinhas que queres pôr à prova com segunda conversa. Ontem expuseste-a e alguém retorquiu com uma pergunta que faz todo o sentido. Precisas voltar a reformular a ideia e expor a terceira pessoa em cujo juízo confias.* Refinarás o que pensas, não afastando a hipótese de estares errada na base. Sorris desta socratice.
Nos últimos dias quase tudo quanto brotou nos neurónios por lá ficou em descanso, para teu sossego e de quem passa nas Comezinhas.
Não te apetece escrever por escrever, com pressa.
*Não é que não seja bom expor ideias a quem não confias. Às vezes lá vem um ou outro argumento válido no meio da enxurrada de certezas fáceis plenas de alvoroço e paixão para encher olho e ego. Mas o tempo não é infinito e não convém perderes disponibilidade mental com futilidades e agressividades. É deixá-los esbracejar sozinhos. Acabam por aprender a ser felizes fazendo de conta e chamando cobardes aos que pensam - uma forma como outra qualquer de viver.