
Ontem foi dia de fazer Bolo de Laranja. Há anos não me dedicava a estas lides. Aliás nesta casa fiz bolo uma ou duas vezes. Fui buscar à estante o livrinho de receitas que me foi dado pela minha tia e madrinha no Natal de 81 – nos meus oito anos. Tem apenas escritas, como a letra de então (presumo, não sei se terá sido mais tarde), duas receitas dos bolos de mármore e de nozes. Deitei apenas os olhos pela primeira, por lembrar da avó dizer ser sempre igual para os que fazíamos habitualmente. Pesávamos os ovos – lembro que em criança fazíamos o bolo do fim-de-semana com quatro ovos – e seria a mesma quantidade em açúcar – ai credo, dizem hoje, pôr metade disso já é um exagero -, de manteiga, na verdade, margarina – que trabalheira, simplificam, agora usa-se óleo – e um pouco menos de farinha com a colher de fermento. Nalgumas matérias a minha memória não falha e lembro que os quatro ovos rondavam os 200 gramas e por isso colocava o mesmo de margarina (hoje ponho um pouco menos, também aderi à parvoeira) e de açúcar e 170 gramas de farinha. Os ovos de hoje são L e três já pesam o suficiente. Como decidi fazer bolo de laranja, coloquei uma de 200 gramas na liquidificadora.
O processo de confecção é simples (copio a receita do bolo de mármore): bate-se a manteiga até ficar deslaçada (escrevi deslacada no meu livrinho dos oito anos), deita-se o açúcar e mexe-se até ligar. A seguir deitam-se as gemas e bate-se muito bem. Na receita diz para juntar as claras em castelo - em neve, lá diz em neve -, e depois a farinha. Mas há aqui erro com certeza. Recordo os conselhos da avó e da mãe: as claras em castelo são as últimas a juntar e só se envolve, não convém bater muito, porque a ideia é o bolo ficar fofo. Ou será que estou enganada, a memória atraiçoou-me, e a farinha é mesmo no fim? Adiante e resumindo, depois das gemas, juntei o batido da laranja inteira com casca, depois a farinha com a colher de fermento e por fim envolvi as claras em castelo. Untei a forma, isto é, como me nego a pôr as mãos na margarina, derreti-a na própria forma no forno que estava aquecer, passei a gordura liquida pelo interior da forma inclinando-a, deixei arrefecer e polvilhei de farinha. Coloquei a massa no forno a 180 graus e vim para os blogues. Pus-me na treta e deixei queimar o bolo, que ainda assim não está nada mau.
Tanto aparato nas fotografias para final tão desastrado. Que aborrecido, o bolo não faz figura nenhuma. Nem dormi hoje. Sofro tanto.






