Há instantes o cérebro apagou-se-me numa pequena fracção de segundo - não é redundância, o momento é de facto fugaz. A sensação é de desligar, de partir. De ausência momentânea. A mioleira a pedir descanso? Já senti o mesmo há uns anos por meia dúzia de vezes. Nestes últimos tempos foi a segunda.
Ontem pela primeira vez na vida esqueci-me do aniversário da minha mãe. Imperdoável. Ontem, apesar dos dois telefonemas quotidianos, só a meio no segundo caí em mim. No fim-de-semana tinha planos para a ocasião, a trabalhar passei o dia a escrever a data e lembrei-me de outros aniversários que não podia esquecer este mês. Como fui deixar escapar o principal?
Hoje às nove da manhã estava à porta de casa da minha mãe com um saquinho de cinco bonitas e cheirosas maças, eram para ser seis rosas no dia anterior. Não consegui àquela hora.
O festejo está programado para o próximo fim-de-semana.
Entretanto, perdi mais uma vez o passe dos transportes - fiz outro antes de vir trabalhar. Nas últimas semanas a cabeça está totalmente aérea - temo as consequências.