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07/01/2023

Hoje no Porto

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Perante o Apocalipse televisivo repensei ir levantar hoje a encomenda, cujo pedido enviei ontem para o Laboratório da Farmácia Vitália. Telefonei antes, confirmei a serenidade e para lá parti em busca do zinco. Sem desconsideração pelos estragos na Rua Mouzinho da Silveira e Rua das Flores parece que o mundo ainda não acabou como dava sensação na televisão da padaria, onde estive dois ou três minutos.


Na Farmácia pude apurar que estão assim instalados em contentor, cedido pela Metro do Porto, desde Junho. Estava previsto a obra demorar oito meses, mas já foram avisados por um engenheiro que contassem com dois anos. Com este revés na Estação de Metro de São Bento, às tantas, a coisa ainda se prolonga mais tempo.


De resto, tudo normal. Para lá seguimos de Uber, conduzidos por uma jovem brasileira, que aos vinte e poucos anos, formada e a trabalhar na área financeira, decidiu arrendar o apartamento onde vivia, emprestar o carro ao pai (que não tinha) e vender os móveis para suportar os custos da decisão e da viagem para Portugal. Foi há três anos e apenas na companhia de uma amiga, que não aguentou a pressão da pandemia e ao fim de quatro meses regressou ao Brasil. Continua sem familiares cá (só amizades), trabalha em empresa de outrem, para perceber como funciona o negócio, mas pretende comprar o próprio carro - quem sabe mais - e ganhar independência. Num tom e linguajar polido, contou mais pormenores de trabalho no decorrer destes três anos - começou na UberEats de moto, aguentando chuva e frio a que não estava habituada, hoje em duas semanas tira o salário mínimo e está contente por isso. Pormenores que só abonam em favor de gente de garra. Sim, parece só o lado positivo, não é? Rende muito mais denegrir à-toa e descrer sempre no que nos contam, ficando a duvidar. Mas, por mim, acredito. E simpatizei.