Aqui a trabalhar e a pensar: hoje tenho de sair às sete para assar o pargo. São altos os pensamentos a mover a mioleira. Mais cedo outro do mesmo calibre: as brancas têm as suas consequências. Não raro na paragem raparigas mais novas fazem-me sinal para passar à frente. E com isto recordo o comentário da minha enteada sobre os transportes públicos no Porto: aqui toda a gente dá o lugar aos mais velhos, não é nada como lá em baixo.
Está a ser um dia pacífico. Está a ser uma semana trabalhosa, mas simpática. A curiosidade é que do nada muito cai em casa. Na segunda-feira a moldura múltipla das fotografias espatifou-se sozinha no chão, partindo-se. Ontem um dos quadros do tríptico florido do IKEA caiu sozinho. Terá o frio influência? No primeiro caso os pregos estavam intactos no sítio, no segundo caiu. Dramas graves.
Ele há fases em que percebemos que há muito menos frivolidade na preocupação com o pé desmanchado da Luísa Carneiro do que nas inquietações dos que denunciam a frivolidade no desmanchado pé da Luísa Carneiro. E outras épocas em que o país e o mundo nos preocupa. Tudo normalíssimo. Quando tiver oportunidade faço um post sobre isto - ai as promessas. Deixo só umas palavras soltas para ver se não me esqueço de associações: café em grupo barulhento, desprezo por conversa sobre gatos, cusquices sobre vips, tagarelice e bitaites sobre acontecidos políticos ou, em geral, actualidade, redomas e nós cegos nas conclusões, volatilidade e amadurecimento. A ver se respondo a pergunta e meia: será a volatilidade mais próxima da maturidade do que o obtusidade? Por que será tão vulgar gente inteligente ser ao mesmo tempo obtusa.
Ai credo, sempre as mesmas referências pobres. Aquelas que toda a gente sabe, conhece. O visto e revisto. Nada de novo, de excitante. Nada de luzidio que se possa passar adiante para brilhar. Que tédio e falta de densidade. É o que dá a ignorância atrevida. Nada daqui se aproveita. Ide à vossa vidinha, espertos(as) arrogantes. Ide iluminados(as) presumidos(as).